Burger King nos EUA pede recuperação e reacende crise no império de Lemann

Controlada pela 3G Capital, de Jorge Paulo Lemann, franqueada do Burger King nos EUA acumulava dívidas superiores a US$ 35 milhões

A maior franqueada do Burger King nos EUA pediu recuperação judicial, atingindo o império de Jorge Paulo Lemann e marcando mais um revés na trajetória do empresário.

A maior franqueada do Burger King nos EUA pediu recuperação judicial, atingindo o império de Jorge Paulo Lemann e marcando mais um revés na trajetória do empresário. Imagem: Reprodução

O empresário Jorge Paulo Lemann, que por anos ocupou o posto de homem mais rico do Brasil, enfrenta mais uma crise em seu portfólio de negócios. A maior franqueada da rede Burger King nos Estados Unidos, a Consolidated Burger Holdings (CBH), entrou com pedido de recuperação judicial — o equivalente americano ao Chapter 11 — após acumular dívidas superiores a US$ 35 milhões e registrar prejuízo de US$ 15 milhões em 2024.

A CBH, responsável por 57 restaurantes nos estados da Flórida e da Geórgia, atribuiu o colapso à inflação, aumento de custos operacionais e à mudança de hábitos de consumo, com o público buscando opções alimentares mais saudáveis e reduzindo o consumo de fast food.

A empresa é uma das principais operadoras da Restaurant Brands International (RBI), conglomerado que controla o Burger King e tem a 3G Capital, de Lemann, como principal acionista. A aquisição da marca pelo grupo brasileiro ocorreu em 2010, num investimento de cerca de US$ 1 bilhão.

De rei do hambúrguer à crise global

O império construído em torno do setor alimentício parecia consolidado. Após o Burger King, Lemann expandiu os negócios para os condimenos, ao unir-se a Warren Buffett para comprar a Heinz em 2013 e, dois anos depois, fundi-la com a Kraft Foods, criando a Kraft Heinz.t

Mas o que parecia uma receita de sucesso azedou. Em 2019, a companhia anunciou perdas de US$ 15 bilhões, cortes de dividendos e investigações da SEC, a comissão de valores mobiliários dos EUA, por irregularidades contábeis. A 3G, aos poucos, foi se retirando do negócio. Lemann e seus sócios Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles deixaram definitivamente a empresa em 2023.

Um império sob pressão

A derrocada da franqueada do Burger King soma-se a outras turbulências recentes. Em 2023, as Lojas Americanas, controladas pelo mesmo trio de investidores, vieram a público com “inconsistências contábeis” de R$ 25 bilhões, provocando uma das maiores crises corporativas da história do Brasil.

Apesar da gravidade do caso, Lemann e seus sócios não foram incluídos na denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal, que responsabilizou 13 ex-executivos da empresa.

Fortuna em queda

Lemann, que por anos figurou como o homem mais rico do Brasil, viu seu patrimônio recuar de R$ 91,8 bilhões para R$ 88 bilhões em 2025, segundo a revista Forbes. Ele ocupa atualmente a terceira posição entre os bilionários brasileiros.

O novo episódio envolvendo o Burger King reforça o desgaste da imagem do empresário, que, mesmo com um histórico de aquisições bilionárias e influência global, enfrenta o desafio de preservar a reputação de um império que já não parece tão sólido quanto antes.

*Da Agência Fonte Exclusiva.

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