Trump volta a defender tarifas e critica déficits comerciais dos Estados Unidos

Presidente americano citou Canadá, México e países europeus ao sustentar que Washington deveria reduzir a dependência de parceiros com os quais registra saldo comercial negativo.

Donald Trump voltou a defender tarifas e criticou déficits comerciais dos EUA com Canadá, México e países europeus durante discurso na Carolina do Norte.

Imagem: Ilustração/ Agência Fonte Exclusiva

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender uma política comercial baseada em tarifas e criticou, nesta quarta-feira (16), a relação de Washington com países que vendem mais ao mercado americano do que compram dos Estados Unidos.

Durante discurso na Carolina do Norte, Trump citou Canadá, México e países europeus e argumentou que o tamanho do mercado consumidor americano dá aos Estados Unidos maior poder nas negociações internacionais.

Na avaliação apresentada pelo presidente, o país deveria rever relações comerciais que resultam em déficits elevados. Trump afirmou que os Estados Unidos possuem capacidade para produzir internamente grande parte dos bens de que necessitam.

Entre os setores mencionados por ele estão automóveis, madeira e alimentos.

Trump questiona comércio com Canadá e Europa

Ao falar sobre o Canadá, Trump voltou a questionar os benefícios da atual relação comercial entre os dois países.

As declarações ocorrem em meio a uma nova fase de tensão entre Washington e Ottawa. No mesmo dia do discurso, Trump assinou um memorando determinando que órgãos do governo identifiquem medidas para restringir produtos canadenses nas compras federais americanas.

O México também foi citado. Trump declarou que os dois governos estariam próximos de alcançar um acordo comercial que considera favorável aos Estados Unidos.

Em relação à Europa, o presidente afirmou que os Estados Unidos registram um déficit comercial de aproximadamente US$ 200 bilhões com países europeus.

O número foi apresentado por Trump durante o discurso como argumento para defender mudanças nas relações comerciais. Ele não detalhou, naquele momento, o cálculo utilizado para chegar ao valor.

Presidente diz que país poderia reduzir comércio

Trump afirmou ainda que os Estados Unidos poderiam interromper relações comerciais com países com os quais mantêm déficit.

Segundo ele, uma medida desse tipo poderia representar pelo menos US$ 1,5 trilhão por ano para a economia americana.

A cifra foi mencionada pelo presidente sem apresentação, durante o discurso, de uma metodologia detalhada que permitisse avaliar o cálculo.

Trump também argumentou que alguns países considerados economicamente fortes dependem do acesso ao mercado dos Estados Unidos para manter parte significativa de suas exportações.

Ao mesmo tempo, reconheceu que existem produtos estrangeiros importantes para a economia americana, embora não tenha detalhado quais mercadorias ou países seriam indispensáveis nesse contexto.

Tarifas seguem no centro da política comercial

As declarações reforçam uma estratégia adotada pelo governo Trump de utilizar tarifas, restrições comerciais e negociações bilaterais como instrumentos para pressionar parceiros dos Estados Unidos.

Nas últimas semanas, o Canadá tem ocupado posição central nessa disputa. O governo americano já havia adotado tarifas adicionais de 50% sobre determinadas categorias de produtos canadenses, enquanto Ottawa respondeu com medidas próprias.

Trump defende que o aumento de tarifas sobre mercadorias estrangeiras pode estimular empresas a transferirem ou ampliarem a produção dentro dos Estados Unidos.

Economistas e empresas atingidas pelas medidas, por outro lado, discutem efeitos como aumento de custos para importadores, encarecimento de insumos e possíveis retaliações comerciais de outros países.

Relação com parceiros vive período de tensão

A relação entre Estados Unidos, Canadá e União Europeia também ganhou um novo componente após autoridades europeias apresentarem uma proposta para aproximar ainda mais o Canadá do bloco.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, propôs a criação de uma modalidade de associação para aprofundar a cooperação com o Canadá em setores como comércio, defesa, energia e tecnologia.

Trump reagiu criticamente à iniciativa e voltou a ameaçar medidas comerciais caso considere que a aproximação entre Canadá e União Europeia prejudique os interesses americanos.

Ao final do discurso, o presidente voltou a sustentar que os Estados Unidos têm poder econômico suficiente para exigir condições comerciais que considere mais favoráveis.

As falas indicam que déficits comerciais, tarifas e acesso ao mercado americano devem continuar no centro das negociações externas do governo dos Estados Unidos.

*Da Agência Fonte Exclusiva. 

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