Em meio a uma economia enfraquecida e um mercado de trabalho extremamente competitivo, uma solução incomum—e trágica—ganha força na China: jovens desempregados pagam diárias para fingir que têm um emprego em escritórios totalmente montados para simular um ambiente corporativo real.
Com o desemprego juvenil acima de 14%, empresas como a “Pretend To Work” (Finja Trabalhar) oferecem, por cerca de 30 a 50 yuans (R$ 22 a R$ 38) por dia, acesso a salas com computadores, internet, salas de reunião e até refeições. O serviço atende a duas necessidades cruciais: a pressão familiar e a exigência de algumas universidades, que condicionam a emissão do diploma à comprovação de um estágio ou emprego dentro de um ano após a formatura.
“O que eu estou vendendo não é uma estação de trabalho, mas a dignidade de não ser uma pessoa inútil”, define Feiyu, proprietário de uma dessas empresas. Para muitos frequentadores, como Shui Zhou, 30 anos, o espaço vai além da farsa: é um local para buscar oportunidades reais, estudar (muitos se dedicam a cursos de inteligência artificial) e combater a solidão e a depressão do desemprego.
Especialistas veem o fenômeno como um sintoma grave de um mercado de trabalho disfuncional. “Fingir que trabalha é uma proteção que os jovens encontraram para si mesmos, criando uma certa distância da sociedade e dando a si mesmos um pouco de espaço”, analisa Biao Xiang, antropólogo do Instituto Max Planck.
A longo prazo, a viabilidade do negócio é incerta, e seus idealizadores o enxergam mais como um experimento social do que como um empreendimento lucrativo. O objetivo, paradoxalmente, é que os clientes usem a mentira temporária como uma ponte para encontrar uma verdadeira recolocação no mercado.
Da Agência Fonte Exclusiva.
