Impostos elevados levam carga tributária brasileira a maior nível em 20 anos

Receita Federal aponta aumento de dois pontos percentuais em 2024, com maior participação da União.

Carga tributária no Brasil atinge recorde histórico em 2024

Imagem: ilustração/canvas

A carga tributária brasileira registrou em 2024 o maior nível em mais de duas décadas, de acordo com dados da Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. O aumento foi de dois pontos percentuais em relação a 2023, resultado da elevação de impostos federais, estaduais e municipais.

A carga tributária mede o total de tributos pagos em relação à riqueza do país, incluindo União, estados e municípios. Segundo a Receita Federal, pelo método tradicional, a carga tributária em 2024 somou 34,1% do PIB, enquanto pelo novo cálculo oficial, que exclui contribuições para o FGTS e o Sistema S, atingiu 32,2% do PIB — ambos valores recordes históricos desde 2002.

A mudança na metodologia da Receita busca alinhar o cálculo a padrões internacionais, como os adotados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), permitindo melhor comparação com outros países. O órgão afirma que a alteração reduz os níveis registrados ao longo da série, sem modificar a tendência de crescimento observada nas últimas décadas.

Distribuição por ente federativo

A Receita Federal destacou que aproximadamente 70% do aumento da carga tributária no ano passado foi de responsabilidade do governo federal. Entre os tributos que mais contribuíram estão o PIS/Pasep, Cofins, ICMS estadual, IPI e IRRF.

Segundo o Fisco, o crescimento do PIS/Cofins reflete a reversão de desonerações aplicadas em 2023, especialmente sobre combustíveis, e a recuperação da arrecadação sobre o consumo geral. O aumento do IPI decorre da retomada parcial das alíquotas após cortes realizados em 2022, enquanto o IRRF foi impulsionado pelo crescimento da massa salarial e dos rendimentos pagos a pessoas físicas e jurídicas, além da tributação de fundos de investimento.

Outros aumentos de impostos desde o início do governo Lula incluem a tributação de fundos exclusivos, mudanças na tributação de incentivos estaduais, cobrança sobre apostas e encomendas internacionais, reoneração gradual da folha de pagamentos e aumento do IOF sobre crédito e câmbio.

O recorde da carga tributária reforça debates sobre a pressão fiscal no país e os impactos sobre a economia, empresas e cidadãos, em meio a um cenário de crescimento econômico moderado e ajustes fiscais contínuos.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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