O governo brasileiro pretende analisar os possíveis efeitos econômicos antes de adotar medidas de reciprocidade em resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos.
A estratégia será construída com base em informações fornecidas por empresas brasileiras e estrangeiras afetadas pelas medidas, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan.
A declaração foi feita nesta sexta-feira (14), durante uma manifestação do ministro sobre as negociações comerciais e outros assuntos econômicos em discussão no governo.
De acordo com Durigan, uma das primeiras etapas do processo de reciprocidade aberto pelo Brasil é justamente reunir informações sobre os impactos que uma eventual reação poderia provocar nos setores envolvidos.
“O primeiro impacto do processo de reciprocidade é a gente poder colher, em especial do empresariado brasileiro, mas também do empresariado do exterior, quais seriam os impactos e as preocupações que eles têm com eventuais medidas de reciprocidade”, afirmou.
Camex iniciou análise sobre tarifas
O governo brasileiro abriu o procedimento de reciprocidade sob o argumento de que as tarifas determinadas pela administração de Donald Trump são arbitrárias e injustificadas.
A análise foi iniciada oficialmente pela Câmara de Comércio Exterior (Camex). A próxima etapa prevista no processo é a realização de uma consulta pública, que deverá reunir informações sobre os possíveis efeitos das medidas comerciais.
A avaliação pretende subsidiar uma eventual decisão do governo sobre a adoção de medidas em resposta às tarifas norte-americanas.
Ministro comenta situação do BRB
Durigan também falou sobre as negociações relacionadas ao Banco de Brasília (BRB). Uma nova audiência de conciliação foi realizada na quinta-feira (13) no Supremo Tribunal Federal (STF), mas terminou sem acordo entre as partes.
O ministro Luiz Fux ampliou o prazo para que o Governo do Distrito Federal e o Ministério da Fazenda analisem a possibilidade de um empréstimo superior a R$ 6 bilhões. A operação seria destinada a auxiliar na solução da situação financeira do banco.
Segundo Durigan, embora o problema não tenha sido provocado pelo governo federal, a União participa das negociações para buscar uma alternativa.
“Mesmo não sendo um problema nosso, fomos nós que apresentamos uma saída que respeitaria e conseguiria manter serviços importantes do DF”, declarou.
O ministro também informou que foram realizadas reuniões para discutir maneiras de aumentar a segurança das garantias oferecidas aos bancos privados. As negociações foram conduzidas pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e pela Advocacia-Geral da União (AGU).
Tesouro autoriza R$ 13 bilhões em crédito para estados
Durante a mesma declaração, Durigan anunciou ainda que o Tesouro Nacional autorizou operações de crédito que totalizam R$ 13 bilhões para estados.
Do valor aprovado, R$ 5,4 bilhões serão destinados a São Paulo para investimentos em obras de mobilidade urbana. A liberação ocorreu depois de o governo paulista recorrer ao STF para solicitar autorização para os recursos.
Durigan afirmou que decisões judiciais não devem interferir nos procedimentos internos do governo federal e disse que a União não atuará sob pressão.
“Não vamos funcionar nunca sob pressão. Nenhuma [decisão] do Supremo de qualquer estado que seja interfere nos processos internos”, afirmou.
Além de São Paulo, operações de crédito também foram autorizadas para Piauí, Maranhão, Pernambuco e Rondônia.
*Da Agência Fonte Exclusiva
