Enquanto grande parte da população ainda começa o dia, os feirantes já estão trabalhando. A rotina começa cedo, com a montagem das bancas, organização das mercadorias e preparação dos produtos que serão oferecidos aos consumidores.
Nesta terça-feira (25), o Brasil celebra o Dia do Feirante, data dedicada a uma atividade que combina trabalho, comércio e tradição cultural.
A presença das feiras livres no país atravessa gerações. O primeiro registro de uma feira livre brasileira ocorreu em 1914, no Largo General Osório, em São Paulo. Ao longo das décadas, o modelo se espalhou por diferentes regiões e passou a integrar o cotidiano de comunidades de norte a sul.
A profissão é regulamentada pela Lei nº 492, de 1984, que estabelece direitos e obrigações relacionados à atividade dos trabalhadores do setor.
Trabalho começa antes do amanhecer
A rotina dos feirantes exige disposição para enfrentar longas jornadas e esforço físico. Além de transportar e organizar as mercadorias, esses profissionais mantêm contato direto com os consumidores e constroem relações que muitas vezes ultrapassam a simples compra e venda.
Francisco de Carvalho, proprietário de uma banca de frutas, destaca justamente a relação com o público como uma das características da profissão.
“A gente trabalha com muito amor, carinho, em prol da população, oferecendo os melhores produtos para eles”, afirmou.
Tradição passada de geração em geração
Em muitas famílias, o trabalho nas feiras começa ainda na infância e é transmitido de pais para filhos. A continuidade familiar ajuda a preservar conhecimentos sobre produtos, comércio e relacionamento com os clientes.
Um exemplo está no Ver-o-Peso, em Belém, um dos mais conhecidos espaços comerciais e culturais da região amazônica. Suellen Gomes cresceu acompanhando o pai, que trabalha há décadas no local, e também construiu sua trajetória como feirante.
“Meu pai tem 50 anos de Ver-o-Peso, então tudo que eu adquiri foi trabalhando aqui honestamente. Adquiri meus bens, criei meu filho e adquiri muita amizade, também. Eu digo que aqui é minha casa”, contou.
Feiras preservam costumes e movimentam a economia
As feiras livres também funcionam como espaços de convivência e expressão cultural. Em meio às bancas de frutas, verduras, temperos, alimentos e outros produtos, consumidores encontram diferentes sabores, sotaques e costumes característicos de cada região.
Além de aproximarem produtores, comerciantes e consumidores, esses espaços contribuem para a circulação de renda e para o abastecimento das comunidades.
O Dia do Feirante, portanto, representa uma homenagem aos profissionais que mantêm essa atividade viva diariamente e ajudam a preservar uma tradição que, mais de um século depois dos primeiros registros, continua fazendo parte da rotina dos brasileiros.
*Da Agência Fonte Exclusiva
