Diante das oscilações no mercado internacional de petróleo, o setor agropecuário brasileiro defende mudanças na composição do diesel vendido no país.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) solicitou ao governo federal o aumento da proporção obrigatória de biodiesel no combustível, passando de 15% para 17%.
O pedido foi encaminhado ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, por meio de um ofício assinado pelo presidente da entidade, João Martins da Silva.
A proposta surge em meio à valorização do petróleo provocada pela intensificação das tensões no Oriente Médio, o que pode elevar o custo do diesel no mercado brasileiro.
Atualmente, o combustível comercializado no país segue o padrão conhecido como B15, que significa 15% de biodiesel misturado a 85% de diesel de origem fóssil.
Esse percentual é definido pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Caso a sugestão da CNA seja aceita, o diesel passaria a ter 17% de biodiesel, formando a mistura chamada B17. O tema pode ser analisado pelo conselho em reunião prevista para a próxima semana.
Pressão dos preços internacionais
Segundo a CNA, a elevação das tensões internacionais já tem reflexos no valor do petróleo.
O barril do tipo Brent crude oil, referência global para negociações da commodity, chegou a cerca de US$ 84, acumulando aumento de aproximadamente 20% desde o fim de fevereiro.
A entidade argumenta que crises geopolíticas costumam afetar diretamente o preço dos combustíveis.
Como exemplo, menciona o período que antecedeu a Invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, quando o petróleo registrou alta expressiva e o diesel teve reajustes significativos no Brasil.
Efeitos para o agronegócio
O custo do diesel é uma das principais preocupações do setor agrícola, sobretudo durante a colheita da primeira safra e o preparo para o plantio da segunda. Produtores relatam aumentos de até R$ 1 por litro em alguns postos.
Para a CNA, ampliar a participação do biodiesel ajudaria a reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados e a diminuir pressões sobre o transporte de cargas.
A entidade também avalia que a mudança poderia evitar repasses maiores de preços ao consumidor final.
Oferta de matéria-prima
Outro argumento apresentado pela confederação é a ampla disponibilidade de insumos para produzir o biocombustível.
A safra de soja, principal matéria-prima do biodiesel no país, está em andamento e deve alcançar volume recorde neste ano.
Com grande oferta e preços mais baixos em comparação ao período da pandemia de COVID-19, a entidade acredita que o biodiesel pode continuar competitivo no mercado.
A CNA também destacou que a mistura de 16% (B16), prevista para entrar em vigor em 1º de março dentro da política nacional de biocombustíveis, ainda não foi implementada.
*Da Agência Fonte Exclusiva
