O jornalismo e a poesia brasileira perderam nesta semana uma de suas figuras mais atuantes. Luis Turiba morreu na madrugada de quarta-feira (26), em Salvador, aos 76 anos, após complicações de saúde. O poeta, jornalista e ativista cultural deixa cinco filhos, seis netos e uma produção construída ao longo de quase cinco décadas.
Nascido no Recife, em 1950, Luiz Artur Toribio iniciou a carreira de repórter no Rio de Janeiro aos 23 anos. Trabalhou em veículos como O Globo, Manchete, Gazeta Mercantil, Jornal de Brasília e Correio Braziliense e recebeu duas vezes o Prêmio Esso de Jornalismo.
Brasília marcou trajetória cultural
Turiba se estabeleceu em Brasília no fim da década de 1970 e passou a ter presença constante na vida cultural da capital.
Na literatura, publicou o primeiro livreto de poemas, “Kiprokó”, em 1977. Mais tarde, esteve entre os responsáveis pela criação da revista Bric-a-Brac, que reuniu poesia, fotografia, artes gráficas e entrevistas e se tornou referência no cenário cultural brasiliense.
Entre outros trabalhos estão “Cadê”, vencedor do Prêmio Candango de Literatura em 1998, “Quetais”, “Poeira Cósmica” e “Desacontecimentos”. Em reconhecimento à contribuição para a cultura local, recebeu o título de Cidadão Brasiliense.
Passagem pelo Ministério da Cultura
O jornalista também integrou equipes do Ministério da Cultura. Trabalhou na assessoria de imprensa da pasta desde sua criação, em 1985, e retornou anos depois durante a gestão de Gilberto Gil, quando atuou na comunicação e participou de projetos ligados às políticas culturais.
Entre os trabalhos audiovisuais realizados nesse período estão documentários como “Gil na ONU” e “A Capoeira no Mundo”.
Perseguição durante a ditadura
A trajetória de Turiba também foi marcada pela repressão política. Ainda jovem, participou do movimento estudantil, foi preso durante a ditadura militar e permaneceu sob perseguição do Estado por anos.
Em agosto de 2024, a Comissão de Anistia reconheceu oficialmente sua condição de anistiado político. Na ocasião, o Estado brasileiro formalizou um pedido de desculpas pelas violações sofridas.
Legado entre poesia e jornalismo
Mesmo depois de deixar a rotina diária das redações, Turiba continuou dedicado à literatura e aos projetos culturais.
Sua obra misturou poesia, crônica, reportagem, música e experimentação gráfica, mantendo uma relação constante entre o olhar jornalístico e a criação literária.
Com sua morte, ficam livros, reportagens, revistas, documentários e uma trajetória ligada à cultura e à defesa da democracia brasileira.
*Da Agência Fonte Exclusiva
