TSE desmente ligação entre Smartmatic e urnas eletrônicas brasileiras após declaração de Flávio Bolsonaro

Tribunal afirma que empresa venezuelana nunca fabricou equipamentos ou sistemas de votação do Brasil e reforça segurança do processo eleitoral.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) voltou a esclarecer informações consideradas falsas sobre o sistema eletrônico de votação brasileiro.

Nesta quarta-feira (22), a Corte afirmou que a empresa venezuelana Smartmatic nunca participou da fabricação das urnas eletrônicas nem forneceu programas utilizados nas eleições do país.

A manifestação ocorreu após uma declaração do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, durante uma reunião com representantes diplomáticos.

Na ocasião, o parlamentar afirmou que haveria uma relação entre as urnas brasileiras e a empresa venezuelana, mas não apresentou evidências para sustentar a afirmação.

Segundo o TSE, a alegação já circula há anos nas redes sociais e foi desmentida anteriormente pela Justiça Eleitoral.

TSE explica funcionamento das urnas

Em nota, o tribunal informou que as urnas eletrônicas brasileiras são desenvolvidas por equipes técnicas vinculadas ao próprio TSE. A fabricação dos equipamentos ocorre por empresas contratadas por meio de licitações públicas, seguindo critérios técnicos e sob fiscalização da Corte.

O objetivo, segundo o tribunal, é garantir segurança, transparência e confiabilidade em todas as etapas do processo eleitoral.

A Justiça Eleitoral também explicou que a Smartmatic teve participação apenas em serviços relacionados à conexão de dados e voz contratados pelo TSE, sem qualquer envolvimento no desenvolvimento, fabricação ou funcionamento das urnas eletrônicas utilizadas nas eleições brasileiras.

Declaração gerou reação política

Durante o encontro com diplomatas, Flávio Bolsonaro mencionou um relatório divulgado pelo governo dos Estados Unidos sobre a atuação da Smartmatic em processos eleitorais da Venezuela.

O documento citado trata de eleições realizadas no país entre 2004 e 2020, mas não estabelece relação com o sistema eleitoral brasileiro nem aponta vínculo entre a empresa e as urnas utilizadas no Brasil.

Após a declaração, críticos afirmaram que a fala teria associado indevidamente o sistema brasileiro a uma empresa estrangeira. Especialistas e adversários políticos também questionaram a utilização de informações sobre o cenário venezuelano para discutir a segurança das eleições brasileiras.

Histórico de críticas ao sistema eleitoral

As declarações também foram relacionadas a questionamentos anteriores feitos pelo ex-presidente Jair Bolsonaro sobre as urnas eletrônicas. Em 2023, o Tribunal Superior Eleitoral condenou o ex-presidente por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação após uma reunião com embaixadores em que o sistema eleitoral brasileiro foi colocado em dúvida.

Em nota, a equipe de pré-campanha de Flávio Bolsonaro afirmou que o senador confia no processo eleitoral brasileiro e que não questionou a integridade das eleições. A manifestação também defendeu a presença de missões internacionais de observação eleitoral, mas não comentou especificamente a afirmação sobre a Smartmatic.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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