Caso grave expõe colapso na saúde em Campos dos Goytacazes

Paciente aguarda exame há meses mesmo com ordem judicial.

Um caso grave registrado em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, escancara a crise no sistema público de saúde do município. A paciente Joelma Fernandes, de 69 anos, denuncia que está há meses sem acesso a um exame essencial para iniciar o tratamento de um câncer agressivo, mesmo após decisão judicial favorável.

De acordo com o relato apresentado na reportagem , a paciente foi diagnosticada com a doença no início de dezembro, mas até agora não conseguiu realizar uma biópsia por radiointervenção — procedimento considerado fundamental para determinar o estágio do câncer e definir a estratégia terapêutica.

Doença avança enquanto atendimento não chega

Segundo Joelma, o quadro clínico se agravou rapidamente. Ela relata perda de peso acentuada, episódios de desmaio, anemia e baixa imunidade, enquanto aguarda pelo exame que ainda não foi disponibilizado pela rede pública.

O câncer, descrito como agressivo, já teria atingido diferentes regiões do corpo, incluindo órgãos vitais, o que aumenta a urgência do tratamento.

Apesar de estar inserida no sistema de regulação municipal, a paciente afirma que o procedimento simplesmente não está disponível na rede, impedindo qualquer avanço no atendimento.

Decisão judicial não foi cumprida

Diante da demora, Joelma recorreu à Justiça e conseguiu uma decisão que obriga o município a garantir o atendimento em até cinco dias. No entanto, segundo o relato, a determinação não foi cumprida.

A situação contraria a legislação federal que estabelece prazo máximo de 60 dias para o início do tratamento de pacientes com câncer — período já ultrapassado no caso.

Dupla vulnerabilidade: paciente também é cuidadora

Além de enfrentar a própria doença, Joelma vive uma realidade ainda mais delicada. Ela é responsável pelos cuidados da mãe, uma idosa de 103 anos, acamada e diagnosticada com Alzheimer.

Sem suporte adequado, a paciente relata dificuldades para garantir assistência básica à mãe, incluindo troca de fraldas, tratamento de ferimentos e acompanhamento profissional, que teriam sido interrompidos por serviços públicos municipais.

O custo dos cuidados tem sido arcado com recursos próprios e doações, agravando ainda mais a situação de vulnerabilidade.

Falta de estrutura e assistência

O caso evidencia falhas estruturais no atendimento de saúde no município. Segundo o relato, serviços essenciais não estão disponíveis, mesmo com pacientes inseridos no sistema.

A ausência de profissionais, a interrupção de programas de assistência domiciliar e a dificuldade de acesso a exames de alta complexidade são apontadas como parte do problema.

Alerta para crise na saúde pública

A situação de Joelma é apresentada como um retrato de um problema mais amplo. A reportagem indica que outros pacientes enfrentam dificuldades semelhantes, com atrasos em exames, consultas e cirurgias.

Especialistas apontam que a demora no diagnóstico e tratamento de doenças graves, como o câncer, pode reduzir significativamente as chances de recuperação e aumentar os índices de mortalidade.

Direito à saúde

A Constituição Federal garante o acesso à saúde como um direito de todos e dever do Estado. Casos como esse levantam questionamentos sobre a efetividade desse direito na prática, especialmente em municípios com grande arrecadação de recursos.

Enquanto aguarda atendimento, Joelma segue em uma corrida contra o tempo — lutando não apenas contra a doença, mas também contra a falta de assistência.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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