Brasil registra 95 roubos ou furtos de celulares por hora

Mais de 830 mil aparelhos foram subtraídos em 2025; São Luís, Belém e São Paulo lideram o ranking de ocorrências entre as grandes cidades.

O Brasil registrou 830.890 roubos e furtos de celulares em 2025, o equivalente a aproximadamente 95 aparelhos subtraídos a cada hora. Os dados fazem parte do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Embora o total represente uma redução de 9% em comparação com 2024, o volume de ocorrências ainda revela a dimensão do problema no país.

No levantamento das cidades com mais de 100 mil habitantes, São Luís ocupa a primeira posição, com taxa de 1.517 casos para cada 100 mil moradores. Belém aparece em segundo lugar, com 1.487 ocorrências por 100 mil habitantes, seguida pela cidade de São Paulo, que registra taxa de 1.390,5. Salvador ocupa a quarta colocação.

Os dados também mostram diferenças importantes entre os horários e os dias em que os crimes acontecem. Os furtos, caracterizados pela retirada do aparelho sem violência ou ameaça direta à vítima, são mais frequentes aos sábados e domingos. Juntos, os dois dias concentram 34,5% dos registros dessa modalidade.

Nos casos de furto, os períodos de maior incidência ficam entre 10h e meio-dia, faixa que reúne 14,6% das ocorrências, e entre 17h e 20h, responsável por 21,4% dos casos. A movimentação de pessoas em espaços públicos, transportes e locais de grande circulação pode favorecer a ação de criminosos sem que a vítima perceba imediatamente.

Os roubos, nos quais há violência ou ameaça, apresentam um comportamento diferente. Cerca de 73,1% dos casos são registrados durante os dias úteis, com maior incidência às sextas-feiras. O primeiro pico diário ocorre entre 5h e 6h, período que concentra 9,9% das ocorrências.

A faixa mais crítica, porém, está no período da noite. Quatro em cada dez roubos de celulares acontecem entre 18h e 23h, com maior concentração por volta das 20h. O horário coincide com a saída de trabalhadores, estudantes e passageiros do transporte público, quando muitas pessoas circulam com o aparelho nas mãos.

Prejuízo pode ir além do valor do aparelho

A perda financeira não se limita ao preço do telefone. Depois do crime, os aparelhos podem ser revendidos no mercado clandestino, desmontados para a retirada de peças ou utilizados na prática de novas fraudes.

Quando o criminoso consegue desbloquear o dispositivo, também pode acessar aplicativos bancários, documentos digitais, fotografias, contatos, mensagens e outros dados pessoais. Essas informações podem ser utilizadas para transferências indevidas, empréstimos, golpes contra familiares, invasão de contas e tentativas de chantagem.

Por isso, especialistas em segurança recomendam atenção redobrada ao utilizar o telefone em vias públicas. Caminhar com o aparelho exposto, principalmente perto de ruas, ciclovias e pontos nos quais motocicletas ou bicicletas conseguem se aproximar rapidamente, aumenta o risco de uma abordagem.

Medidas simples podem dificultar o acesso de terceiros ao conteúdo armazenado. O usuário deve manter senhas fortes, biometria, bloqueio automático de tela e ferramentas de localização e rastreamento ativadas. Em caso de roubo ou furto, é importante comunicar imediatamente a ocorrência, bloquear a linha e impedir o acesso às contas vinculadas ao aparelho. O programa Celular Seguro permite emitir alertas e solicitar o bloqueio do dispositivo, da linha e de aplicativos financeiros.

Apesar da redução registrada em relação ao ano anterior, a média de 95 celulares levados por hora mostra que o crime continua presente na rotina das cidades brasileiras e exige uma combinação de prevenção individual, investigação policial e enfrentamento ao mercado de receptação.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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