Presidente da Coreia do Sul nega gasto de R$ 300 milhões com ovos brasileiros

Lee Jae-myung afirma que importação custou cerca de R$ 6 milhões e diz que acusações da oposição distorcem os valores da operação.

Presidente sul-coreano Lee Jae-myung nega gasto de R$ 300 milhões na compra de ovos brasileiros e afirma que a importação custou cerca de R$ 6 milhões.

Imagem: Reprodução/Ricardo Stuckert/ Via RT

A importação de ovos brasileiros pela Coreia do Sul provocou uma disputa política no país asiático. O presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, negou nesta quinta-feira (15) que o governo tenha gasto cerca de R$ 300 milhões na compra dos produtos e classificou as acusações da oposição como informações falsas motivadas por interesses políticos.

Em publicação na rede social X, Lee afirmou que a operação custou aproximadamente 1,6 bilhão de won, o equivalente a cerca de R$ 6 milhões. A oposição, por sua vez, acusa o governo de ter desembolsado 80 bilhões de won, valor estimado em R$ 300 milhões, para adquirir ovos brasileiros a preços elevados.

Diante da repercussão, o presidente pediu que os responsáveis pelas denúncias corrigissem as informações divulgadas e apresentou os valores que, segundo ele, correspondem aos gastos reais da importação.

Importação ocorre em meio à aproximação diplomática

A controvérsia surgiu em um período de aproximação entre Brasil e Coreia do Sul. Em julho deste ano, Lee Jae-myung esteve no Brasil, entre os dias 26 e 29, para uma visita de Estado a convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Durante os encontros, os dois governos discutiram possibilidades de cooperação em áreas como comércio, investimentos, energia, defesa, tecnologia e minerais estratégicos. A viagem sul-coreana também foi uma retribuição à visita de Lula à Coreia do Sul, realizada em fevereiro.

A oposição passou a questionar a importação de ovos brasileiros porque os procedimentos para a compra começaram após os contatos entre os dois presidentes. O governo sul-coreano, entretanto, nega que a operação tenha sido realizada para beneficiar o Brasil em razão das relações diplomáticas.

Governo explica custos e estratégia de importação

Segundo Lee, a compra ocorreu em um momento de alta nos preços dos ovos na Coreia do Sul, marcado pela escassez da produção doméstica e pela redução da disponibilidade de produtos para exportação por fornecedores tradicionais, incluindo países asiáticos e os Estados Unidos.

Diante desse cenário, o governo decidiu importar uma quantidade limitada de ovos do Brasil. De acordo com o presidente, a medida buscou diversificar as fontes de abastecimento e ampliar a oferta no mercado interno, apesar dos custos adicionais de transporte.

O preço de aquisição informado por Lee foi de aproximadamente 178 won por unidade, equivalente a cerca de R$ 0,67. Com a inclusão do transporte aéreo, das tarifas e de outras despesas, o custo total teria chegado a 1.464 won por ovo, aproximadamente R$ 5,49.

Apesar do custo elevado da operação, os ovos foram vendidos no mercado sul-coreano por cerca de 140 won cada, o equivalente a R$ 0,53, segundo os números apresentados pelo presidente. A diferença entre o custo total de importação e o preço de venda teria sido coberta por subsídios governamentais, com o objetivo de aliviar o impacto da alta dos preços para os consumidores.

Ovos brasileiros representam pequena parcela das importações

Lee também afirmou que os ovos provenientes do Brasil corresponderam a apenas 0,8% do volume total de ovos importados pela Coreia do Sul.

O presidente defendeu que a compra de produtos mais caros no exterior e sua comercialização por valores menores pode ser utilizada como instrumento para ampliar a oferta e conter a inflação de itens essenciais.

A disputa, entretanto, mantém em evidência os questionamentos sobre os custos da operação e a utilização de recursos públicos. Enquanto a oposição critica os valores atribuídos à importação, o governo sustenta que o gasto foi muito inferior ao divulgado pelos adversários políticos.

*Da Agência Fonte Exclusiva. 

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