Eduardo Tagliaferro, ex-chefe do combate à desinformação no TSE, é acusado de violar sigilo, obstruir investigações e tentar abolir o Estado Democrático de Direito.
O procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, denunciou nesta sexta-feira (22) Eduardo Tagliaferro, ex-assessor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ao Supremo Tribunal Federal (STF). Tagliaferro, que foi chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação, é acusado de quatro crimes: violação de sigilo funcional, coação no curso do processo, obstrução de investigação e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
A denúncia está relacionada ao vazamento de mensagens trocadas entre servidores dos gabinetes do ministro Alexandre de Moraes no STF e no TSE. De acordo com a PGR, entre maio e agosto de 2023, Tagliaferro divulgou à imprensa diálogos sigilosos obtidos em sua função oficial. O objetivo, segundo Gonet, era “atender a interesses ilícitos de organização criminosa” que dissemina notícias falsas e tentou um golpe de Estado, buscando desacreditar a lisura das investigações e incitar atos antidemocráticos.
A acusação também cita que, após deixar o Brasil, Tagliaferro ameaçou revelar novas informações sigilosas no exterior, configurando o crime de coação. A denúncia da PGR segue um indiciamento da Polícia Federal há quatro meses, que apontou que o ex-assessor teria confessado à esposa ter repassado dados ao jornal Folha de S.Paulo.
Defesa alega perseguição e “fora dos parâmetros legais”
Em nota, a defesa de Eduardo Tagliaferro afirmou receber a denúncia “sem surpresa” e criticou a “farta quantidade de crimes atribuídos” frente à “ausência de uma única palavra sobre o conteúdo das matérias jornalísticas”. O texto alega “perseguição” e que Tagliaferro foi vítima de “um telefone indevidamente apreendido”.
A defesa ainda sustenta que “muita coisa fora dos parâmetros legais” aconteceu no período em que o ex-assessor esteve no TSE, devido a ordens que “não tinha opção de descumprir”. Por fim, a nota registra que Tagliaferro “teme por sua vida”, mas promete revelar informações que, segundo ele, “merecem ser analisadas com o rigor da lei para a moralização do país”.
Da Agência Fonte Exclusiva.
