A suspensão cautelar de lotes de produtos da Ypê pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) gerou forte repercussão nas redes sociais e levou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a se pronunciar nesta segunda-feira (11).
Segundo ele, a medida adotada pelo órgão regulador teve caráter exclusivamente técnico e sanitário, sem qualquer relação com disputas políticas ou com doações eleitorais feitas por proprietários da empresa.
Nos últimos dias, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro passaram a compartilhar publicações sugerindo que a decisão da Anvisa estaria associada ao histórico de contribuições da companhia à campanha presidencial de 2022.
Padilha rebateu essa interpretação e afirmou que esse tipo de conteúdo desinforma a população e pode colocar consumidores em risco.
Durante entrevista coletiva, o ministro destacou que a atuação da Anvisa seguiu protocolos rigorosos de fiscalização e teve como objetivo proteger a saúde pública. Ele classificou como irresponsável a tentativa de transformar um tema sanitário em debate ideológico.
A medida cautelar atinge lotes de detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes fabricados pela Química Amparo, empresa responsável pela marca Ypê. Segundo a agência, inspeções identificaram falhas nos controles internos de qualidade e risco de contaminação microbiológica em produtos com numeração final 1.
Padilha informou que a decisão foi embasada em uma análise técnica conduzida durante quatro dias por equipes da Anvisa, do Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo e da Vigilância Sanitária de Amparo, município onde está localizada a fábrica da empresa.
De acordo com o ministro, a própria companhia já havia detectado, no fim do ano passado, a presença de bactéria em um de seus lotes. Para ele, esse tipo de ocorrência serve como alerta para eventuais falhas em diferentes etapas do processo produtivo.
Outro ponto destacado foi que o diretor da Anvisa responsável pela área que determinou a suspensão, Daniel Meirelles, foi indicado ao cargo durante o governo Bolsonaro.
Segundo Padilha, essa informação reforça que a decisão foi tomada com base em critérios técnicos previstos na legislação sanitária.
A repercussão ganhou força após uma publicação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que compartilhou nas redes sociais uma imagem de um detergente da marca acompanhada da mensagem “Dia lindo”.
O ministro também alertou para os riscos da desinformação em assuntos relacionados à saúde. Segundo ele, mensagens que minimizam ou questionam medidas sanitárias sem respaldo técnico podem incentivar o uso de produtos potencialmente comprometidos.
A decisão definitiva sobre a manutenção ou revogação da suspensão será tomada pela Anvisa após a conclusão das análises laboratoriais e da avaliação técnica. Até lá, os lotes atingidos pela medida cautelar devem permanecer fora do mercado.
*Da Agência Fonte Exclusiva
