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Maria Thereza Goulart (Divulgação)

Maria Thereza Goulart (Divulgação)

Justiça Federal condena União a pagar indenização à viúva do ex-presidente João Goulart

Dano moral causado pelo exílio envolve uma "injusta privação dos direitos da cidadania", segundo decisão

Redação Por Redação
10/01/2024 - 22:24
em Brasil
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A Justiça Federal condenou a União a pagar R$ 79,2 mil em indenização a Maria Thereza Goulart, viúva do ex-presidente João Goulart.

A decisão é de 24 de dezembro e foi assinada pelo juiz Bruno Risch Fagundes de Oliveira, da 4ª Vara Federal de Porto Alegre.

O que Maria Thereza pedia?

A ex-primeira-dama alegava que, em 1964, João Goulart foi deposto na esteira do golpe militar. Na época, seus filhos tinham seis e oito anos e precisaram ser retirados às pressas de Brasília. A família buscou exílio no Uruguai e posteriormente Argentina.

Qual foi a resposta do governo?

A União, em sua defesa, justifica que a “autora nunca sofreu torturas ou agressões pelo Estado Brasileiro e que ela já afirmou, em outras ocasiões, que a vida no exterior era confortável até que se instalaram regimes ditatoriais naqueles países”

Qual foi o argumento do juiz?

Porém, para o juíz Bruno Risch, o dano moral causado pelo exílio envolve uma “injusta privação dos direitos da cidadania”. Também afirma que a suspensão dos direitos políticos de João Goulart, Jango, “transcendeu os limites de sua própria esfera de direitos, impactando diretamente sua esposa e mãe de seus filhos.”

Segundo o magistrado, mesmo que a família estivesse fora do território nacional, “a documentação pública que integra o Arquivo Nacional demonstra que, mesmo fora dos limites do território nacional, o Estado brasileiro manteve, por meio de cooperação com outros países, controle e vigilância ostensiva sobre o ex-presidente João Goulart.”

O que diz a defesa sobre a decisão?

A defesa de Maria Thereza informou à CNN que essa indenização não tem relação com a anistia, mas sim com danos morais e que não pode comentar este caso, já que se encontra em segredo de justiça.

A defesa ressalta que a ex-primeira-dama passou 12 anos exilada e sendo monitorada pelo regime enquanto esteve fora: “Os atos praticados com ela foram ilícitos, o Estado já reconheceu que foi irregular”.

Com informações da CNN.

Tags: #João Goulart
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