Em meio à multidão dos blocos e ao clima de euforia nas ruas, o celular se tornou um dos principais alvos de criminosos durante o Carnaval.
Mais do que a perda do aparelho em furtos e roubos, o maior prejuízo pode acontecer em poucos minutos, com o acesso indevido a aplicativos bancários e o esvaziamento de contas.
Embora golpes presenciais — como o uso de maquininhas adulteradas — ainda sejam registrados, especialistas apontam avanço das fraudes digitais.
Redes wi-fi falsas e técnicas de engenharia social, quando o golpista manipula emocionalmente a vítima para obter senhas e dados, ampliam os riscos mesmo sem a subtração física do telefone.
José Oliveira, diretor de Tecnologia da Certta, afirma que grandes eventos criam o ambiente ideal para a atuação criminosa.
Segundo ele, a combinação de quebra de rotina, decisões tomadas com pressa e sensação de urgência reduz a capacidade de análise e favorece erros.
Por que o risco aumenta no Carnaval?
De acordo com o especialista, três fatores ajudam a explicar o crescimento das fraudes nesse período:
Alta concentração de pessoas, o que facilita furtos e dificulta a identificação de suspeitos;
Mudança de padrão de comportamento, com transações fora da rotina habitual, confundindo sistemas automáticos de detecção;
Decisões emocionais e distração, típicas de ambientes festivos.
Celular: porta de entrada para a vida financeira
O smartphone reúne aplicativos bancários, carteiras digitais, e-mails e redes sociais — dados suficientes para que criminosos assumam o controle financeiro da vítima.
Com o aparelho desbloqueado ou após tentativas rápidas de quebra de senha, é possível transferir valores via Pix, solicitar empréstimos, alterar senhas e recuperar acessos por e-mail ou SMS.
Como se proteger antes de sair de casa
Especialistas recomendam medidas preventivas simples:
Ativar biometria facial ou digital nos aplicativos bancários;
Habilitar funções como “modo seguro” ou “modo rua”, quando disponíveis;
Desativar pagamento por aproximação em locais de grande aglomeração;
Reduzir temporariamente o limite de Pix;
Configurar a opção de apagar dados remotamente em aparelhos Android ou iPhone;
Evitar manter aplicativos financeiros com altos valores no celular utilizado na rua.
Principais formas de invasão
Wi-fi falso: criminosos criam redes abertas com nomes semelhantes aos oficiais para capturar dados. A orientação é priorizar o uso de internet móvel (4G ou 5G) e evitar acessar aplicativos bancários em redes públicas.
Engenharia social: mensagens ou ligações sobre supostas compras suspeitas, bloqueios de cartão ou promoções relâmpago induzem decisões rápidas. A recomendação é desconfiar de urgências artificiais e confirmar informações apenas por canais oficiais.
Golpes com inteligência artificial: tecnologias como deepfakes, que simulam voz e imagem, e identidades sintéticas, com perfis falsos altamente convincentes, tornam as fraudes mais sofisticadas.
Viagens e mudanças de rotina típicas do Carnaval podem dificultar a identificação de movimentações suspeitas pelos sistemas de segurança das instituições financeiras.
Se o celular for roubado
A reação rápida é essencial:
Bloquear o aparelho junto à operadora ou por serviços oficiais de bloqueio;
Apagar os dados remotamente via Google ou Apple;
Comunicar imediatamente o banco para bloqueio de contas e cartões;
Registrar boletim de ocorrência;
Alterar senhas de e-mail e redes sociais.
Para José Oliveira, a principal proteção ainda é comportamental. Antes de inserir uma senha, clicar em um link ou confirmar um pagamento, a orientação é fazer uma breve pausa.
Em ambientes de festa e aglomeração, a tecnologia ajuda, mas a atenção do usuário continua sendo a primeira barreira contra golpes.
*Da Agência Fonte Exclusiva
