O pastor e ativista pelos direitos humanos Jesse Jackson, uma das figuras mais emblemáticas da luta pelos direitos civis nos Estados Unidos, morreu aos 84 anos nesta terça-feira (17), conforme informou sua família.
Jackson faleceu de forma tranquila, cercado por familiares, após anos enfrentando problemas de saúde relacionados à Progressive Supranuclear Palsy (PSP), um distúrbio neurológico progressivo. A condição havia sido inicialmente associada a um diagnóstico de Parkinson anunciado publicamente por ele em 2017.
Líder carismático e presença constante nas mobilizações por igualdade racial, Jackson esteve ao lado de Martin Luther King Jr. durante momentos decisivos do movimento pelos direitos civis na década de 1960. Ele também estava em Memphis no dia do assassinato de King, episódio que marcou profundamente sua trajetória e reforçou seu compromisso com a justiça social.
Ao longo das décadas seguintes, Jackson ampliou sua atuação política e social. Fundou organizações como a Operation PUSH e a Rainbow/PUSH Coalition, iniciativas voltadas à defesa de direitos econômicos, ampliação do registro de eleitores e promoção de oportunidades para afro-americanos e outros grupos historicamente marginalizados.
Sua influência ultrapassou o campo religioso e ativista. Jackson disputou a presidência dos Estados Unidos duas vezes, nos anos 1980, campanhas consideradas históricas por ampliarem o protagonismo político de minorias e abrirem caminhos para maior diversidade na política norte-americana.
Após a confirmação de sua morte, líderes políticos, autoridades internacionais e movimentos de direitos humanos destacaram a dimensão de seu legado. Em diferentes manifestações públicas, Jackson foi lembrado como uma voz firme contra a discriminação racial, defensor da dignidade humana e articulador de pontes entre comunidades.
A trajetória do pastor se confunde com capítulos centrais da história contemporânea dos Estados Unidos. Sua atuação ajudou a manter viva, por décadas, a agenda de igualdade iniciada pelo movimento dos direitos civis, inspirando novas gerações de ativistas em todo o mundo.
Com sua morte, encerra-se a vida de um dos últimos grandes protagonistas diretos daquela era. O impacto de sua liderança, porém, permanece ecoando onde ainda houver luta por justiça, representação e direitos básicos. Porque algumas vozes não desaparecem. Elas viram memória coletiva. E continuam falando mesmo em silêncio.
*Da Agência Fonte Exclusiva
