El Niño pode afetar café, cacau e açúcar e pressionar preços de commodities

Fenômeno climático pode provocar secas, calor extremo e excesso de chuva em importantes regiões produtoras entre 2026 e 2027.

El Niño entre 2026 e 2027 pode afetar a produção de café, cacau e açúcar no Brasil e no exterior, com possíveis impactos nos preços.

Imagem: Reprodução/Gettyimages.ru / Bruno Zanardo/ Via RT

A possibilidade de intensificação do El Niño entre 2026 e 2027 acende um alerta para importantes regiões produtoras de commodities agrícolas.

O fenômeno climático pode alterar os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do mundo e afetar culturas como café, cacau e açúcar, com possíveis reflexos sobre a oferta e os preços internacionais.

De acordo com o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos, a probabilidade de ocorrência de um episódio forte durante o outono e o inverno do Hemisfério Norte chega a cerca de 90%, segundo informações divulgadas pela Reuters.

O impacto sobre a agricultura dependerá da intensidade e da distribuição dos efeitos climáticos. Períodos de calor extremo, estiagens ou chuvas excessivas podem ocorrer justamente durante fases importantes do desenvolvimento e da colheita das lavouras.

Brasil está entre os países sob atenção

O Brasil pode sentir os efeitos do fenômeno em diferentes culturas. No caso do café arábica, temperaturas elevadas e períodos de pouca chuva nas principais regiões produtoras podem prejudicar o desenvolvimento das plantas que darão origem à safra de 2027.

Por outro lado, temperaturas mais altas durante a colheita da safra atual podem reduzir o risco de ocorrência de geadas em determinadas áreas.

O resultado dependerá, portanto, do período em que as condições climáticas mais intensas ocorrerem e da distribuição das chuvas ao longo do ciclo da cultura.

Cacau pode enfrentar redução da oferta

O cacau está entre as commodities consideradas mais vulneráveis ao El Niño. Costa do Marfim e Gana, na África Ocidental, respondem juntos por aproximadamente metade da produção mundial e podem enfrentar mudanças significativas no regime de chuvas.

O cenário pode começar com precipitações acima do normal e posteriormente evoluir para períodos de calor e seca, combinação capaz de prejudicar as lavouras.

Segundo a gestora WisdomTree, todos os episódios considerados fortes de El Niño registrados nos últimos 55 anos foram acompanhados por redução na produção de cacau.

No último evento de grande intensidade, problemas climáticos contribuíram para diminuir a produção da África Ocidental e ajudaram a impulsionar as cotações internacionais. Os preços chegaram a superar US$ 12 mil por tonelada, equivalente a cerca de R$ 62 mil na conversão mencionada.

Café robusta também pode ser afetado

O café robusta produzido no Sudeste Asiático também aparece entre os produtos que podem sofrer impactos.

Vietnã e Indonésia, responsáveis juntos por aproximadamente metade da produção mundial da variedade, podem registrar redução das chuvas associada ao fenômeno.

Analistas do Citi avaliam que uma queda expressiva nas precipitações poderia reduzir o rendimento das plantações e afetar a oferta disponível no mercado internacional.

No Brasil, o comportamento do clima será determinante para o café arábica. Um período de calor mais intenso pode reduzir o risco de geadas no curto prazo, mas uma combinação prolongada de temperaturas elevadas e falta de chuva pode comprometer a formação da safra de 2027.

Açúcar pode ter impactos diferentes

Os efeitos sobre o açúcar devem variar de acordo com a região produtora.

No Brasil, o El Niño costuma estar associado a períodos de chuva mais intensa no segundo semestre. O excesso de precipitação pode dificultar a colheita da cana-de-açúcar e prejudicar a qualidade da matéria-prima.

Como o país responde por aproximadamente metade das exportações mundiais de açúcar, eventuais problemas na produção ou na colheita brasileira podem repercutir no mercado internacional.

Na Índia e na Tailândia, o cenário tende a ser diferente. O fenômeno geralmente está associado à redução das chuvas, o que pode comprometer a produção.

Segundo Carlos de Mello, chefe da área de açúcar da Hedgepoint, mesmo um El Niño moderado poderia provocar uma redução de aproximadamente 1 milhão de toneladas na produção indiana.

Chuvas podem favorecer safra brasileira em 2027

Apesar dos riscos no curto prazo, o El Niño também pode produzir efeitos positivos para algumas culturas brasileiras.

No caso da cana-de-açúcar, chuvas acima da média nas áreas produtoras podem favorecer o desenvolvimento das plantações e contribuir para uma safra mais produtiva em 2027.

Esse aumento da produção brasileira poderia, segundo Mello, limitar a duração de uma eventual valorização do açúcar provocada pela redução da oferta em outros países produtores.

Clima pode influenciar preços das commodities

A possível intensificação do El Niño aumenta a incerteza nos mercados agrícolas. Os efeitos do fenômeno não serão necessariamente iguais em todas as regiões: enquanto algumas áreas podem enfrentar estiagens, outras podem registrar excesso de chuva.

Para café, cacau e açúcar, o principal risco está na ocorrência de condições climáticas desfavoráveis durante períodos críticos do ciclo das lavouras. Uma redução da oferta em grandes países produtores pode elevar os preços internacionais, enquanto uma produção maior em outras regiões pode ajudar a compensar parte dessas perdas.

No Brasil, os efeitos dependerão principalmente da intensidade do El Niño, da distribuição das chuvas e das temperaturas e do momento em que as alterações climáticas ocorrerem. Por isso, as próximas atualizações dos modelos meteorológicos serão importantes para determinar o impacto efetivo sobre as safras de 2026 e 2027.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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