A preservação das provas digitais extraídas de um celular do empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, passou a ser questionada por seus advogados.
A defesa solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) esclarecimentos sobre os procedimentos adotados pela Polícia Federal após a apreensão do aparelho, realizada em novembro de 2025.
O pedido foi apresentado depois que uma análise técnica particular identificou registros de movimentação em arquivos armazenados no telefone quando o dispositivo já estava sob custódia dos investigadores.
Segundo documento divulgado pelo Poder360 na quinta-feira (29), a perícia contratada pela defesa apontou que 657 arquivos teriam sido modificados e outros 436 criados em 18 de novembro de 2025, um dia após a apreensão.
Os dados ainda precisam ser examinados pelas autoridades competentes. Alterações em registros digitais não significam, necessariamente, que tenha ocorrido manipulação indevida das provas.
Perícia identifica alterações em mais de mil arquivos
De acordo com os advogados, a análise particular encontrou movimentações em bancos de dados, imagens e outros arquivos presentes no aparelho.
A defesa sustenta que os registros exigem esclarecimentos sobre o processamento das informações e os procedimentos realizados após a apreensão.
O levantamento também apontou atividades no celular durante a madrugada de 17 para 18 de novembro.
Entre os eventos identificados estão 207 registros de interação com a tela, 33 acionamentos da câmera frontal associados ao reconhecimento facial e três conexões pela entrada USB.
Os advogados afirmam que o banco de dados do WhatsApp apresentou alterações às 1h48, poucos segundos após uma das conexões registradas.
Também teriam ocorrido movimentações em arquivos relacionados ao armazenamento de senhas entre 2h03 e 2h25.
Essas informações foram apresentadas pela defesa e ainda não constituem comprovação de adulteração das evidências.
Advogados questionam preservação das provas
Um dos principais argumentos da defesa envolve a chamada cadeia de custódia, procedimento utilizado para documentar todas as etapas de coleta, armazenamento, transporte e análise de uma prova.
No caso de dispositivos eletrônicos, esses registros ajudam a identificar quem teve acesso ao material e quais procedimentos foram realizados durante a investigação.
Os advogados afirmam que não receberam os arquivos originais da extração pericial nem os respectivos códigos hash, que funcionam como identificadores digitais utilizados para verificar a integridade dos dados.
A defesa também aponta a necessidade de esclarecimentos sobre os lacres de segurança e a identificação dos profissionais responsáveis pelo manuseio do aparelho.
Segundo os representantes de Vorcaro, a ausência dessas informações dificulta uma avaliação independente sobre a preservação do conteúdo.
Defesa pede acesso aos registros originais
Diante das inconsistências que afirma ter encontrado, a defesa solicitou ao STF a preservação dos dados originais do telefone e o acesso à documentação técnica relacionada à perícia.
O pedido inclui informações sobre a extração dos arquivos, os procedimentos de processamento e os registros de manuseio do dispositivo.
Os advogados argumentam que esses elementos são necessários para verificar se o material utilizado na investigação corresponde aos dados originalmente armazenados no aparelho.
A análise também poderá ajudar a esclarecer se as movimentações identificadas decorreram de procedimentos técnicos de extração ou de outras atividades realizadas no dispositivo.
STF deverá analisar os questionamentos
A controvérsia envolve a integridade das evidências digitais e a possibilidade de a defesa conferir os procedimentos utilizados pela Polícia Federal.
Embora a perícia particular tenha identificado registros de criação e modificação de arquivos, esses dados, isoladamente, não demonstram que houve adulteração intencional.
A avaliação depende de informações técnicas adicionais, incluindo os métodos empregados na extração e no tratamento dos dados.
Caberá ao STF examinar os pedidos apresentados pelos advogados e decidir sobre a necessidade de esclarecimentos ou outras providências.
Até que haja uma conclusão técnica ou judicial, as possíveis irregularidades permanecem como alegações da defesa de Daniel Vorcaro.
*Da Agência Fonte Exclusiva
