A Justiça da Argentina iniciou uma investigação preliminar para apurar as circunstâncias da passagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pelo país antes de sua viagem aos Estados Unidos.
Segundo informações publicadas pelo jornal argentino La Nación, a juíza federal María Eugenia Capuchetti determinou a preservação de imagens de câmeras de segurança e solicitou esclarecimentos a órgãos oficiais sobre os procedimentos migratórios realizados.
A apuração ocorre após denúncias de políticos argentinos que levantaram suspeitas sobre uma possível participação de integrantes do governo do presidente Javier Milei no deslocamento do parlamentar.
Até o momento, não há comprovação das acusações. As medidas judiciais buscam reunir informações para verificar se existem indícios de irregularidades.
Justiça solicita imagens da fronteira
Entre as providências determinadas está a preservação das gravações da Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu, no Paraná, a Puerto Iguazú, na Argentina.
A magistrada também solicitou a conservação de imagens do aeroporto de Puerto Iguazú, na província de Misiones.
Os registros poderão ajudar a reconstruir o trajeto do senador, verificar sua passagem pelos controles migratórios e esclarecer os procedimentos adotados antes do embarque para os Estados Unidos.
A preservação das imagens busca evitar a perda de informações durante a fase inicial da apuração.
Órgãos argentinos deverão prestar informações
A investigação também envolve pedidos de esclarecimento à Direção Nacional de Migrações e ao Ministério das Relações Exteriores da Argentina.
Os órgãos deverão informar se existia algum impedimento legal à entrada do senador no país e quais procedimentos administrativos foram realizados.
As diligências foram solicitadas após manifestação da promotora Paloma Ochoa, que apresentou dez pedidos de investigação.
A juíza autorizou parte das medidas, concentrando a apuração inicial na preservação de registros e na obtenção de documentos oficiais.
Denúncia cita Javier Milei e integrantes do governo
A investigação teve origem em uma denúncia apresentada por Gabriel Solano, dirigente do Partido Obrero, legenda de esquerda argentina.
Ele levantou suspeitas sobre a possível participação de Javier Milei e de integrantes de sua administração na passagem de Flávio Bolsonaro pelo território argentino.
Entre os supostos crimes apontados estão favorecimento pessoal qualificado, abuso de autoridade, descumprimento de deveres funcionais e desvio de recursos públicos.
As acusações ainda precisam ser investigadas e não representam comprovação de envolvimento das autoridades mencionadas.
Deputado apresenta outra denúncia
O deputado argentino Esteban Paulón também apresentou uma representação relacionada ao episódio.
A denúncia menciona Javier Milei, o ministro das Relações Exteriores, Pablo Quirno, e o assessor presidencial Santiago Caputo.
O caso foi encaminhado a outro juízo federal.
As duas iniciativas buscam esclarecer possíveis responsabilidades de agentes públicos, mas ainda não há decisão judicial que confirme qualquer irregularidade.
Viagem ocorreu em meio a restrições judiciais no Brasil
A passagem de Flávio Bolsonaro pela Argentina ganhou repercussão após notícias de que o senador teria deixado o Brasil apesar de uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) que restringia sua saída do país.
Segundo as informações divulgadas, o parlamentar seguiu para os Estados Unidos em uma aeronave particular que partiu de território argentino.
A viagem ocorreu após a eleição presidencial brasileira de 2026, na qual Flávio foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva.
Nos Estados Unidos, o senador divulgou manifestações contestando o resultado eleitoral.
A investigação argentina, entretanto, tem um objetivo específico: verificar se houve participação irregular de funcionários públicos daquele país no deslocamento do parlamentar.
Investigação ainda não tem conclusão
A Justiça argentina deverá analisar os registros das câmeras, os documentos migratórios e as informações fornecidas pelos órgãos oficiais.
A partir desse material, será possível avaliar se existem fundamentos para aprofundar a investigação.
Por enquanto, não há conclusão judicial sobre a participação de autoridades argentinas em eventual facilitação da viagem.
O caso amplia a repercussão internacional do deslocamento de Flávio Bolsonaro, mas as suspeitas permanecem sob apuração.
*Da Agência Fonte Exclusiva
