Critérios da Anvisa para análise de medicamentos levantam alerta sobre igualdade entre empresas

Parecer da AGU vê risco de favorecer empresas com atuação global, enquanto Anvisa defende ganho de eficiência e transparência

Agência determina suspensão de suplementos alimentares após identificar riscos e descumprimento de normas sanitárias.

Imagem | Agência Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alterou recentemente a forma como organiza a fila de análise de pedidos de registro, em uma mudança que, na prática, tende a favorecer empresas de maior porte, especialmente grandes grupos farmacêuticos com presença internacional.

Até então, a fila seguia uma ordem tradicional, baseada na sequência cronológica dos processos de registro dos produtos. Com a nova sistemática, ganha peso o chamado sistema de reliance, mecanismo pelo qual a agência passa a considerar, com grau elevado de confiança, avaliações já realizadas por autoridades regulatórias de outros países para determinados produtos.

Além disso, a resolução abre espaço para que uma empresa substitua um pedido por outro na fila caso desista de um processo em andamento. A mudança foi apresentada pela Anvisa como medida emergencial para acelerar a análise de medicamentos e diminuir o acúmulo de solicitações.

Um parecer da Advocacia-Geral da União (AGU), no entanto, vê riscos nesse modelo. O documento aponta que, na prática, o reliance tende a ser acessível principalmente a companhias que já possuem aprovações e certificados em mercados estrangeiros, cenário mais comum entre grandes multinacionais do setor farmacêutico. Assim, pequenas e médias empresas, que dependem exclusivamente da avaliação nacional, poderiam ficar em desvantagem competitiva.

A AGU também chama a atenção para a possibilidade de reordenar a fila, permitindo que um pedido protocolado em data posterior seja apreciado antes de outros que estavam à frente. Para o órgão jurídico, essa lógica pode contrariar princípios como a impessoalidade e a isonomia, que exigem tratamento igualitário entre administrados em situações equivalentes.

Entre as principais mudanças previstas no novo modelo estão:

O que diz a Anvisa

Questionada, a Anvisa afirmou, em nota, que as deliberações de sua Diretoria Colegiada seguem o rito administrativo previsto na legislação e que o parecer da AGU foi um dos elementos examinados no processo que resultou na alteração da fila de registros.

Segundo a agência, as ponderações apresentadas pela AGU teriam sido contempladas e respondidas no voto do relator da matéria, que, de acordo com a Anvisa, complementou a instrução processual considerada na decisão final.

A Anvisa sustenta ainda que a escolha pelo novo modelo levou em conta um conjunto de fatores técnicos, jurídicos e regulatórios, além do interesse público em aprimorar o fluxo de análise de medicamentos. De acordo com a instituição, o objetivo central é tornar o processo mais previsível, eficiente e transparente, sem afastar as garantias legais já existentes para as empresas e para a sociedade.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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