O celular deixou de ser apenas um meio de comunicação e passou a ocupar um espaço central na rotina dos brasileiros. É por ele que milhões de pessoas assistem a vídeos, acompanham notícias, fazem pagamentos, conversam com amigos e também decidem o que comprar.
Uma pesquisa da Statista mostra que 48% dos brasileiros entrevistados já adquiriram algum produto anunciado por uma celebridade ou influenciador digital. O índice coloca o Brasil na primeira posição entre os países analisados e confirma a força das redes sociais sobre as escolhas dos consumidores.
Na comparação internacional, o percentual brasileiro aparece acima dos índices registrados na África do Sul, Índia, China, Reino Unido, Estados Unidos, Alemanha e França. O levantamento considera consumidores que afirmaram ter comprado produtos por causa da publicidade feita por influenciadores ou pessoas famosas.
O resultado ajuda a explicar uma transformação que já pode ser percebida no mercado publicitário. A propaganda tradicional, concentrada durante décadas em emissoras de televisão, rádios, jornais e revistas, passou a dividir espaço com conteúdos produzidos especialmente para plataformas digitais.
Influenciadores ganham espaço na publicidade
Vídeos curtos, demonstrações de produtos, transmissões ao vivo e relatos de experiências criam uma comunicação mais próxima do público. Em muitos casos, o consumidor sente que está recebendo uma recomendação pessoal, mesmo quando a publicação faz parte de uma campanha paga.
Essa sensação de proximidade é uma das principais forças do marketing de influência. Diferentemente de um anúncio tradicional, o criador de conteúdo conversa diretamente com seus seguidores e costuma compartilhar detalhes da própria rotina. Com isso, a indicação pode parecer mais espontânea e confiável.
Para os influenciadores, as parcerias com empresas também se tornaram uma importante fonte de renda. Além dos anúncios, muitos trabalham com projetos especiais, financiamento coletivo, participação em campanhas e vendas realizadas durante transmissões ao vivo.
A eficiência desse formato atrai empresas interessadas em alcançar públicos específicos. As plataformas digitais permitem direcionar campanhas por idade, localização e interesses, além de oferecer métricas sobre alcance, visualizações e interação.
Publicidade precisa ser identificada
A relação de confiança entre influenciadores e seguidores também exige responsabilidade. Quando existe pagamento, recebimento de produtos ou qualquer benefício comercial, a publicação precisa ser claramente identificada como publicidade.
O artigo 36 do Código de Defesa do Consumidor determina que o anúncio deve ser apresentado de maneira que o público consiga reconhecê-lo de forma fácil e imediata. Plataformas como YouTube e Instagram também oferecem recursos para informar a existência de parceria paga.
Em julho de 2026, o Ministério da Justiça e Segurança Pública firmou um acordo de cooperação com o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, o Conar, para reforçar o acompanhamento da publicidade digital. A iniciativa inclui o monitoramento de conteúdos produzidos por influenciadores e direcionados a grupos considerados mais vulneráveis.
Indicação não elimina os riscos
A recomendação de uma pessoa conhecida nas redes sociais não garante a qualidade do produto, o cumprimento do prazo de entrega ou a segurança da compra. Por isso, o consumidor precisa pesquisar antes de fechar o pedido.
Entre os cuidados recomendados estão consultar avaliações de outros clientes, verificar a reputação da empresa, comparar preços, desconfiar de promessas exageradas e confirmar as regras de troca, devolução e reembolso.
O consumidor também deve guardar comprovantes, conversas, anúncios e documentos relacionados à compra. Esse material pode ser importante caso seja necessário procurar a empresa, o Procon ou a Justiça.
A influência digital pode aproximar marcas e consumidores, mas não substitui a necessidade de informação. Quanto maior o poder de convencimento dos criadores de conteúdo, maior deve ser a transparência sobre as relações comerciais e os possíveis riscos envolvidos.
Meta descrição: Pesquisa mostra que 48% dos brasileiros já compraram produtos anunciados por influenciadores. Brasil lidera ranking internacional sobre influência digital.
*Da Agência Fonte Exclusiva