Brasil entra na lista de países investigados pelos EUA por suspeita de trabalho forçado

Governo americano inclui 60 países sob escrutínio comercial, apontando setor agrícola brasileiro como vulnerável.

Brasil é incluído na lista de 60 países investigados pelos EUA por suspeita de produtos fabricados com trabalho forçado. Setor agrícola é apontado como mais vulnerável à concorrência desleal.

Imagem: Reprodução/Chip Somodevilla / Gettyimages.ru/ Via RT

O Brasil passou a integrar a lista de 60 países sob investigação do governo dos Estados Unidos por suposto uso de trabalho forçado na produção de bens exportados para o mercado americano.

O anúncio foi feito na quinta-feira (12) pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), que incluiu na lista também países como China, Índia, Rússia, Argentina, além de aliados históricos, como Reino Unido, Canadá e nações da União Europeia.

A apuração se baseia na Seção 301 da legislação americana, que permite identificar desequilíbrios comerciais e, se necessário, aplicar tarifas sobre produtos estrangeiros.

Segundo Jamieson Greer, representantes do USTR, empresas e trabalhadores norte-americanos enfrentam concorrência de produtores que podem ter custos artificialmente reduzidos pelo uso de trabalho forçado, configurando vantagem desleal.

A decisão vem após a Suprema Corte dos EUA declarar ilegal, em 20 de fevereiro, diversas tarifas globais impostas pelo governo de Donald Trump.

Apesar de o Brasil ter sido beneficiado com a derrubada dessas tarifas, o país segue sob escrutínio.

Além disso, o país já responde a outra investigação iniciada em 2025 sob a mesma legislação, que analisa o uso do Pix em transações comerciais, irregularidades no comércio da região da 25 de Março, em São Paulo, além de questões sobre propriedade intelectual, taxas de importação e desmatamento.

No novo inquérito, o setor agrícola brasileiro é apontado como o mais vulnerável. Empresas dos EUA acusam companhias brasileiras de utilizar mão de obra em condições análogas à escravidão, obtendo vantagem competitiva indevida.

O objetivo da investigação é avaliar se governos estrangeiros implementaram medidas eficazes para impedir a entrada de produtos provenientes de trabalho forçado e o impacto dessas falhas sobre trabalhadores e empresas norte-americanas.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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