Bets podem sair das telas e chegar a pontos físicos no Brasil

Secretaria de Prêmios e Apostas prepara regras para terminais presenciais, enquanto órgãos de defesa do consumidor alertam para riscos de acesso por menores.

Terminais presenciais de apostas esportivas estão entre os temas em discussão na agenda regulatória da Secretaria de Prêmios e Apostas.

Edit Magazin / reprodução

Empresas do mercado de apostas esportivas acompanham a possibilidade de ampliar a atuação para além dos celulares e computadores. O próximo passo pode ser a instalação de terminais físicos de apostas, tema que já faz parte da agenda regulatória da Secretaria de Prêmios e Apostas, vinculada ao Ministério da Fazenda.

A regulamentação dos terminais físicos de apostas de quota fixa está oficialmente em desenvolvimento. A proposta prevê a definição de condições, exigências técnicas e regras para a exploração presencial de apostas esportivas e de outras modalidades lotéricas.

A discussão ganhou espaço porque o modelo já existe em outros países, onde apostadores podem usar equipamentos instalados em estabelecimentos físicos para registrar seus palpites. No Brasil, a ideia ainda depende da definição das regras federais.

A agenda regulatória da SPA para 2026 e 2027 incluiu especificamente a exploração de apostas por terminais digitais físicos entre os novos temas que deveriam ser analisados pelo órgão. A previsão inicial apontava para a abertura do processo regulatório no segundo trimestre de 2026.

Entre os pontos em discussão estão a certificação dos equipamentos, as responsabilidades das empresas, os critérios de autorização e fiscalização e as medidas de proteção ao apostador.

Hoje, empresas que oferecem apostas de quota fixa em âmbito nacional precisam de autorização da Secretaria de Prêmios e Apostas. Desde janeiro de 2025, as plataformas autorizadas pelo governo federal utilizam endereços terminados em “.bet.br”.

A criação de uma operação presencial abriria uma nova frente para o setor. Em vez de depender exclusivamente do acesso pela internet, as apostas poderiam ser realizadas diretamente em máquinas ou terminais instalados em locais autorizados.

O modelo, no entanto, levanta uma série de dúvidas sobre onde esses equipamentos poderiam funcionar, como seria feita a identificação dos usuários e quais barreiras seriam adotadas para impedir apostas feitas por menores de 18 anos.

Um dos pontos mais sensíveis é justamente a possibilidade de os terminais ficarem em locais de grande circulação.

Entidades de defesa do consumidor têm defendido que eventual expansão física seja acompanhada por mecanismos rígidos de controle de acesso. A preocupação é que a instalação de equipamentos em ambientes abertos ou de circulação ampla torne mais difícil impedir o contato de crianças e adolescentes com as apostas.

A legislação e as normas do setor já estabelecem obrigações relacionadas ao jogo responsável e à proteção dos apostadores. As regras federais incluem medidas de prevenção a danos associados ao jogo e restrições específicas para a atividade.

A discussão sobre os terminais ocorre em um momento em que o governo também amplia a fiscalização do mercado digital.

Em setembro, a Secretaria de Prêmios e Apostas publicou novas normas para reforçar o combate às operações ilegais e às transações financeiras ligadas a plataformas sem autorização.

Ao mesmo tempo, o número de empresas autorizadas continua sendo atualizado pelo Ministério da Fazenda, que mantém uma relação pública dos operadores habilitados a atuar no mercado nacional.

A expansão das bets continua provocando discussões dentro do governo e no Congresso, especialmente por causa dos possíveis impactos sociais e financeiros das apostas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já fez críticas públicas ao crescimento desse mercado e relacionou sua preocupação principalmente aos efeitos das apostas sobre jovens e famílias. Essas manifestações representam a posição política do presidente, enquanto a regulamentação do setor continua sendo conduzida pelos órgãos técnicos responsáveis.

A eventual liberação dos terminais físicos, portanto, não significa que as máquinas poderão ser instaladas imediatamente. O modelo ainda depende da conclusão da regulamentação, com definição dos locais permitidos, exigências para os operadores, padrões técnicos e mecanismos de fiscalização.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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