O mês de agosto é marcado por campanhas de conscientização sobre duas doenças que podem afetar tanto animais quanto seres humanos: a leishmaniose e a raiva. Embora tenham formas de transmissão diferentes, ambas são consideradas importantes problemas de saúde pública e exigem medidas permanentes de prevenção.
Durante o período, o Agosto Verde Claro chama atenção para a leishmaniose, enquanto a campanha tradicionalmente conhecida como “Mês do Cachorro Louco” reforça os cuidados contra a raiva. As ações buscam ampliar o conhecimento da população e estimular a vacinação e outras medidas capazes de reduzir o risco de transmissão.
Leishmaniose exige atenção de tutores e autoridades
A leishmaniose é uma doença causada por parasitas e transmitida pela picada de insetos conhecidos popularmente como mosquito-palha. A enfermidade pode atingir animais e pessoas e apresenta diferentes formas clínicas.
Nos cães, a infecção pode permanecer sem sinais aparentes durante determinado período. Quando os sintomas aparecem, podem incluir perda de peso, lesões na pele e alterações que afetam órgãos internos, incluindo os rins.
Entre os seres humanos, a leishmaniose visceral é uma das formas mais graves. A doença pode provocar febre prolongada, anemia, aumento do fígado e do baço e outras complicações. Sem diagnóstico e tratamento adequados, pode evoluir para quadros graves.
Para o médico-veterinário Francis Flosi, diretor da Faculdade Qualittas, ampliar o acesso à informação é uma das estratégias para combater a doença.
“A Leishmaniose é uma das zoonoses mais preocupantes da atualidade. A população ainda desconhece os riscos reais da doença e a importância da prevenção. Por isso, o Agosto Verde Claro é uma oportunidade essencial para levar informação de qualidade às pessoas”, afirma.
A disseminação da leishmaniose também está relacionada às transformações ambientais e urbanas. Expansão das cidades, ocupação desordenada, alterações no ambiente e circulação de animais podem favorecer a presença do vetor em diferentes regiões.
Para reduzir os riscos, algumas medidas podem ser incorporadas à rotina:
- Evitar o acúmulo de folhas, restos de plantas e outros materiais orgânicos no quintal;
- Manter áreas externas limpas e organizadas;
- Utilizar coleiras repelentes em cães quando recomendadas por profissionais;
- Evitar levar animais para locais de mata e áreas úmidas nos períodos de maior atividade do vetor;
- Instalar telas apropriadas em portas e janelas;
- Manter consultas veterinárias periódicas.
Nos seres humanos, o diagnóstico e o tratamento da leishmaniose podem ser realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). No caso dos cães, existem tratamentos destinados ao controle da enfermidade e à melhora da qualidade de vida, mas eles não eliminam definitivamente a infecção.
Raiva continua sendo uma doença de alta gravidade
A raiva também merece atenção durante o mês de agosto. Trata-se de uma infecção viral que pode atingir diferentes mamíferos e apresenta taxa de letalidade extremamente elevada depois do início dos sintomas.
Um caso registrado em Campinas, no interior de São Paulo, reforçou recentemente a importância da vigilância. Uma gata encontrada nas proximidades do Cemitério da Saudade teve a infecção confirmada após ser encaminhada para atendimento veterinário. O diagnóstico foi posteriormente confirmado pelo Instituto Pasteur.
A ocorrência levou as autoridades a investigarem possíveis contatos entre pessoas e o animal e a acompanharem outros animais encontrados na região. Um profissional que sofreu um arranhão durante o atendimento também recebeu medidas preventivas.
A principal forma de transmissão da raiva ocorre pelo contato com a saliva de animais infectados, principalmente em mordidas e arranhões. A exposição de ferimentos ou mucosas à saliva contaminada também pode representar risco.
Apesar do nome popular “Mês do Cachorro Louco”, a prevenção não deve se restringir aos cães. Gatos e animais silvestres também podem carregar e transmitir o vírus.
“Manter seu pet vacinado é um ato de amor e responsabilidade. A saúde dele, da sua família e da sua comunidade depende disso. A raiva é uma doença com letalidade praticamente total, mas completamente evitável com uma simples dose de vacina por ano”, explica Francis Flosi.
Casos humanos mostram importância da prevenção
Dados do Ministério da Saúde apontam que 54 casos de raiva humana foram registrados no Brasil entre 2010 e junho de 2026. Ao longo desse período, apenas duas pessoas sobreviveram após o surgimento dos sintomas.
A circulação do vírus também pode envolver animais silvestres. Morcegos, raposas e gambás estão entre os mamíferos que podem estar infectados.
Por esse motivo, a orientação das autoridades é evitar qualquer contato direto com animais encontrados mortos, caídos ou apresentando comportamento incomum. Animais silvestres que aparecem ativos durante o dia, por exemplo, também devem ser considerados suspeitos quando a situação foge do comportamento habitual.
Nesses casos, a população deve acionar os serviços municipais de zoonoses e evitar tocar ou transportar o animal.
Como identificar possíveis sinais de raiva
Nos cães, a raiva pode provocar alterações comportamentais e neurológicas. Em uma fase conhecida como furiosa, o animal pode apresentar agressividade, mudanças repentinas de comportamento, agitação, salivação excessiva e, em alguns casos, apatia.
Posteriormente, pode ocorrer a chamada fase paralítica, marcada por perda progressiva dos movimentos, dificuldade respiratória e evolução para coma.
Como a doença não possui tratamento eficaz após o aparecimento dos sintomas, a prevenção é considerada a principal estratégia para proteger os animais e as pessoas.
Vacinação é fundamental contra a raiva
A vacinação de cães e gatos é uma das principais formas de impedir a circulação do vírus. Campanhas de vacinação antirrábica são realizadas gratuitamente pelos serviços públicos e pelos órgãos municipais responsáveis pelo controle de zoonoses.
A idade mínima para vacinação e o esquema de doses devem seguir as orientações das autoridades sanitárias locais. Animais gestantes também podem ser vacinados quando indicado pelas normas dos serviços de saúde animal.
Além da imunização, os tutores devem observar alterações de comportamento, evitar contato com animais desconhecidos e procurar atendimento especializado sempre que houver suspeita de exposição.
Prevenção depende de cuidados contínuos
As campanhas realizadas em agosto reforçam que o combate às zoonoses não depende apenas de ações pontuais. A vacinação dos animais, a higiene e manutenção dos ambientes, o acompanhamento veterinário e a busca rápida por atendimento após uma possível exposição são medidas que contribuem para reduzir os riscos.
No caso da leishmaniose, o controle dos fatores ambientais e a proteção dos animais contra o vetor são importantes. Para a raiva, a vacinação permanece como uma das principais ferramentas de prevenção.
Manter-se informado e seguir as orientações dos serviços de saúde e de controle de zoonoses ajuda a proteger os animais, as famílias e toda a comunidade.
*Da Agência Fonte Exclusiva.
