Donald Trump foi eleito novamente presidente dos Estados Unidos, protagonizando um retorno dramático e triunfal à Casa Branca quase quatro anos após deixar Washington nas cordas, na esteira de uma tentativa de golpe que culminou na invasão do Capitólio, e depois de se tornar o primeiro ex-presidente condenado em ação criminal na história do país.
Segundo projeções divulgadas pela imprensa americana na manhã desta quarta-feira (06/11), o republicano derrotou de maneira decisiva sua rival democrata Kamala Harris ao superar a marca de 270 votos no Colégio Eleitoral dos Estados Unidos. E, em contraste com sua vitória anterior, em 2016, Trump ainda ficou à frente de Kamala no voto popular, contradizendo pesquisas que apontavam uma disputa mais acirrada.
Até o momento, Trump recebeu mais de 70 milhões de votos e acumula 277 delegados no Colégio Eleitoral, segundo as projeções. Kamala Harris, por sua vez havia recebido pouco mais de 65 milhões de votos, de acordo com as projeções, e acumulando 224 delegados.
“Fizemos história. É uma vitória política que nosso país nunca viu antes. Deus poupou minha vida por uma razão e essa razão foi para salvar nosso país”, disse Trump em um discurso após conquistar vários estados-chave na disputa.
A força dos republicanos de Trump também pode ser observada na disputa pelo Senado, com o partido obtendo 51 dos 100 assentos e retomando o controle da Casa. Projeções também indicam que os republicanos devem manter sua maioria na Câmara dos Representantes.
A votação também encerra um ciclo de campanha marcado por reviravoltas, incluindo a desistência da candidatura do atual presidente Joe Biden – que abriu caminho para Kamala Harris –, e duas tentativas de assassinato contra Trump.
O pleito ainda ocorreu em um cenário externo de tensão, com os EUA fortemente envolvidos no apoio a aliados que atualmente protagonizam conflitos: Israel e Ucrânia.
O resultado também deve reverberar no mundo. Na Europa Ocidental, a vitória deve ser vista com apreensão, dado o histórico de desprezo de Trump pelos seus aliados na Otan, além de impactar negativamente sobretudo a política de ajuda dos EUA à Ucrânia.
Por outro lado, a vitória de Trump deve ser celebrada por setores da ultradireita mundial. No Brasil, o ex-presidente Jair Bolsonaro disse antes do pleito que uma vitória de Trump seria a “certeza de um mundo melhor”. O brasileiro ainda colocou um boné com o slogan de campanha de Trump, “Make America Great Again” (Faça a América Grande Novamente).
Para os democratas, o resultado ainda marca um fim melancólico para o governo de Joe Biden, que, sob pressão do seu partido, havia cedido a candidatura para Kamala após sua idade – 81 anos – passar a ser vista tornar um fator de risco na campanha. No final, a aposta na vice-presidente Kamala, de 60 anos, acabou não se revelando frutífera para os democratas diante de um adversário como Trump. A posse do republicano está marcada para 20 de janeiro, pouco mais de quatro anos após a invasão do Capitólio.
Mais velho presidente eleito
Se uma eventual vitória de Kamala poderia ter marcado a primeira vez que uma mulher ocuparia o Salão Oval, a volta por cima de Trump não deixa de ter três componentes históricos.
Ele será apenas o segundo presidente da história dos EUA a ocupar o cargo por dois mandatos não-consecutivos (o primeiro fora Grover Cleveland no final do século 19). Aos 78 anos, Trump também é a pessoa mais velha a vencer o posto – superando por alguns meses a idade de Biden na campanha de 2020.
Por fim, Trump se tornou ainda o primeiro condenado pela Justiça a assumir a presidência dos Estados Unidos.
Para seus apoiadores, o republicano é um salvador e um herói, disposto a defender os valores deles contra os liberais. Críticos, por sua vez, frisam que ele é um criminoso condenado, acompanharam a campanha eleitoral com incredulidade e expressaram choque com o que consideram políticas radicais, conduta indigna de um homem de Estado, e uso impulsivo das redes sociais, no cargo e fora dele.
Com uma campanha focada fortemente no combate à imigração, por exemplo, Trump escandalizou ao dizer que em Springfield, Ohio, os imigrantes haitianos estariam raptando os cães e gatos dos vizinhos para comer – uma alegação que se provou falsa.
Da Agência Fonte Exclusiva, com informações da DW Brasil.
