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Ciclorfina, nova droga sintética associada a pelo menos 55 mortes nos EUA, preocupa especialistas por sua potência e dificuldade de detecção.

Imagem: Reprodução/Gettyimages.ru / Peter Dazeley/ Via RT

Nova droga sintética associada a 55 mortes nos EUA preocupa especialistas

Ciclorfina pode ser mais potente que o fentanil, é difícil de detectar em testes rápidos e aumenta o risco de overdoses acidentais.

redacao Por redacao
22/10/2026 - 09:01
em Internacional
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O surgimento de uma nova droga sintética tem preocupado especialistas em saúde pública nos Estados Unidos. Conhecida como ciclorfina, a substância foi associada a pelo menos 55 mortes entre 2025 e 2026, segundo informações atribuídas ao Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). Seus efeitos ainda não são totalmente conhecidos, e a dificuldade de identificação em exames comuns aumenta a preocupação com possíveis intoxicações fatais.

A ciclorfina é apontada como uma substância de potência superior à do fentanil, um opioide sintético já associado a milhares de mortes por overdose. Um dos principais riscos é a possibilidade de o composto ser misturado a outras drogas ou utilizado na fabricação de comprimidos falsificados, sem que os consumidores saibam de sua presença.

Nessas circunstâncias, uma pessoa pode entrar em contato com a substância sem ter conhecimento da composição do produto consumido. A exposição involuntária é especialmente preocupante diante da potência atribuída ao composto e da possibilidade de efeitos graves mesmo com quantidades reduzidas.

Testes rápidos podem não identificar a substância

A detecção da ciclorfina é um dos principais desafios para os laboratórios forenses. Testes rápidos utilizados na identificação de algumas drogas podem não reconhecer o composto, tornando necessárias análises especializadas para confirmar sua presença.

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Em entrevista à RT, o bioquímico Carlos Rius Alonso explicou que a identificação pode exigir técnicas como cromatografia líquida e espectrometria de massa. Para ilustrar a dificuldade, o especialista comparou a busca pela substância à tentativa de encontrar um grão de areia em uma praia.

Segundo Alonso, o composto teria sido desenvolvido experimentalmente para pesquisas relacionadas a analgésicos, mas não possui aprovação para uso clínico. A ciclorfina atua nos receptores opioides e pode provocar depressão respiratória, condição em que a respiração se torna lenta ou insuficiente e que pode levar à morte.

A potência atribuída à droga amplia os riscos de intoxicação. Como ocorre com outros opioides sintéticos potentes, a presença de uma quantidade desconhecida em um produto adulterado pode dificultar a avaliação do perigo antes do consumo.

Novas fórmulas dificultam o combate às drogas sintéticas

A circulação de compostos sintéticos inéditos representa um desafio constante para as autoridades. Muitas dessas substâncias só são identificadas depois de começarem a aparecer em apreensões, atendimentos médicos ou investigações de mortes suspeitas.

Enquanto laboratórios tentam reconhecer as novas fórmulas químicas, fabricantes clandestinos podem modificar a composição dos produtos para dificultar sua identificação. Esse processo torna mais difícil acompanhar a circulação das drogas e estabelecer rapidamente quais riscos elas representam.

A falta de informações sobre a composição de uma substância também pode complicar o atendimento de pessoas intoxicadas. Sem uma identificação precisa, os profissionais de saúde podem enfrentar obstáculos para determinar a causa do quadro e orientar a resposta clínica mais adequada.

Por isso, especialistas defendem o fortalecimento da vigilância laboratorial, a troca de informações entre autoridades e a ampliação das estratégias de prevenção e atendimento. O acompanhamento de pessoas com problemas relacionados ao uso de drogas também faz parte de uma resposta de saúde pública de longo prazo.

Mortes por overdose continuam preocupando nos Estados Unidos

Apesar da redução registrada em relação a períodos anteriores, as mortes por overdose continuam sendo um problema grave nos Estados Unidos. Segundo os dados mencionados no levantamento, mais de 79 mil pessoas morreram por essa causa em 2024.

O aparecimento de novas substâncias reforça que a queda no número de óbitos não significa o fim da crise. A entrada de opioides sintéticos pouco conhecidos no mercado ilegal pode modificar o cenário rapidamente, especialmente quando seus efeitos e riscos ainda não foram suficientemente estudados.

A associação da ciclorfina a dezenas de mortes reforça a necessidade de ampliar a capacidade de detecção dos laboratórios e divulgar alertas sobre substâncias potencialmente perigosas. Ainda assim, a confirmação dos casos e a avaliação precisa dos riscos dependem de análises técnicas e da consolidação das evidências disponíveis.

*Da Agência Fonte Exclusiva. 

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