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Entenda por que o Telegram se tornou “refúgio” da extrema direita no Brasil

Redação Por Redação
11/01/2023 - 15:25
em Saúde
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Os atos golpistas realizados em Brasília no último domingo (8) foram amplamente divulgados em diversas redes sociais, mas uma delas teve papel especial para o seu desenrolar. O Telegram há tempos tem abrigado diversos grupos bolsonaristas e extremistas, e foi usado para a organização dos ataques realizados aos edifícios dos três poderes na capital.

Em entrevista a Época NEGÓCIOS, Carlos Affonso Souza, Professor da Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade, funções mais atraentes para extremistas e falta de moderação tornam o Telegram propício para esses grupos agirem virtualmente.

“O Telegram sempre foi visto como uma rede propícia para discursos mais extremistas, que não teriam lugar em outras plataformas. De certa maneira, a plataforma combina elementos de aplicativos de mensagens instantâneas com outros de rede social, o que o torna mais atraente para esses grupos”, aponta.

Origem do Telegram

O Telegram foi criado em 2013 pelos irmãos russos Nikolai e Pavel Durov. A plataforma logo se tornou um ambiente procurado para pessoas que desejavam passar despercebidas das autoridades, incluindo grupos políticos extremistas em diferentes países.

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Aos poucos, sua popularidade chegou ao Brasil, impulsionada por funcionalidades que a diferenciavam do Whatsapp – a criação de canais e o uso de figurinhas, por exemplo. Em momentos em que o Whatsapp apresentou problemas técnicos, o Telegram ganhou usuários no país. “Por um tempo, ele foi visto como como plano B ao Whatsapp”, diz Carlos Affonso Souza.

No entanto, foi com o acirramento dos ânimos políticos no Brasil e a atuação do Whatsapp e de outras plataformas para coibir fake news que o Telegram se popularizou entre a extrema-direita brasileira.

Atrativos do Telegram para grupos extremistas

Segundo Souza, um dos atrativos da plataforma para grupos extremistas é a possibilidade de ter grupos com até 200 mil pessoas – no Whatsapp, o número máximo de participantes é de 1.024 pessoas. O Telegram conta ainda com o recurso de canais, em que somente o administrador pode postar, mas para uma audiência ilimitada.

“Ou seja, há ambientes com troca de informações, e também comunicações unidirecionais que facilitam a coordenação deles. Isso permite uma comunicação muito mais abrangente que no Whatsapp”, explica o professor da UERJ.

A inação do Telegram em coibir discursos tóxicos, fake news e atividades criminosas também é favorável aos grupos extremistas. “A gente sabe que eles são conhecidos por não exercerem moderação de conteúdo. Então a plataforma é vista como uma rede mais permissiva para determinados conteúdos”, diz Souza.

Mesmo nos raros casos em que o Telegram coibiu minimamente a atuação criminosa em seus ambientes, não é difícil para esses grupos se reorganizarem, já que a plataforma permite encontrar rapidamente grupos pelo nome ou palavras-chave em sua busca interna.

Telegram e os problemas com a Justiça

Esse perfil permissivo trouxe problemascom a Justiça brasileira em 2022. Em março do ano passado, o ministro do STF Alexandre de Moraes chegou a determinar o bloqueio da rede por “desprezo à Justiça e total falta de cooperação”. A plataforma não havia atendido a um chamado para colaborar contra a disseminação de fake News e falhou em obedecer decisões judiciais para bloquear determinados perfis.

No entanto, foi com o acirramento dos ânimos políticos no Brasil e a atuação do Whatsapp e de outras plataformas para coibir fake news que o Telegram se popularizou entre a extrema-direita brasileira.

Atrativos do Telegram para grupos extremistas

Segundo Souza, um dos atrativos da plataforma para grupos extremistas é a possibilidade de ter grupos com até 200 mil pessoas – no Whatsapp, o número máximo de participantes é de 1.024 pessoas. O Telegram conta ainda com o recurso de canais, em que somente o administrador pode postar, mas para uma audiência ilimitada.

“Ou seja, há ambientes com troca de informações, e também comunicações unidirecionais que facilitam a coordenação deles. Isso permite uma comunicação muito mais abrangente que no Whatsapp”, explica o professor da UERJ.

A inação do Telegram em coibir discursos tóxicos, fake news e atividades criminosas também é favorável aos grupos extremistas. “A gente sabe que eles são conhecidos por não exercerem moderação de conteúdo. Então a plataforma é vista como uma rede mais permissiva para determinados conteúdos”, diz Souza.

Mesmo nos raros casos em que o Telegram coibiu minimamente a atuação criminosa em seus ambientes, não é difícil para esses grupos se reorganizarem, já que a plataforma permite encontrar rapidamente grupos pelo nome ou palavras-chave em sua busca interna.

Telegram e os problemas com a Justiça

Esse perfil permissivo trouxe problemascom a Justiça brasileira em 2022. Em março do ano passado, o ministro do STF Alexandre de Moraes chegou a determinar o bloqueio da rede por “desprezo à Justiça e total falta de cooperação”. A plataforma não havia atendido a um chamado para colaborar contra a disseminação de fake News e falhou em obedecer decisões judiciais para bloquear determinados perfis.

“O Telegram serve como laboratório para testar quais são as palavras-chave, as narrativas que geram maior engajamento. Muitos dos memes, das palavras que se popularizam são testadas ali para que se veja quais conteúdos podem pular para outras plataformas. E esses conteúdos chegam a outras pessoas que não estão tão engajadas, mas podem se juntar aos atos”, explica o professor.

Em 2022, ministro do SF Alexandre de Moraes chegou a determinar bloqueio do Telegram no Brasil. — Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Maior regulamentação

O uso do Telegram e outras redes sociais para os ataques golpistas em Brasília deve reacender o debate sobre maiores regulamentações de plataformas digitais no Brasil, segundo Carlos Affonso Souza.

“Não tenho a menor dúvida de que 2023 é o ano em que vamos debate a regulamentação de plataformas e redes sociais. O Brasil não é terra sem lei sobre isso, a gente tem o Marco Civil da Internet, mas está claro que há medidas que precisam ser aperfeiçoadas. E me parece que o governo atual tem muita clareza sobre esse ser um ponto prioritário”, afirma

Vale lembrar que a intenção de criar normas mais estritas para evitar a disseminação de fake News e o planejamento de atos criminosos nas plataformas digitais já fora mencionada por Lula e pelo PT antes das eleições do ano passado. Representantes do Judiciário também já se manifestaram a favor de iniciativas do tipo. E, após os atos do último domingo, que foram amplamente organizados e divulgados em redes sociais, a questão ficou novamente em evidência. “Se tivermos uma nova regulamentação, o Telegram vai cumprir? A gente pode ter mais um ponto de tensionamento para acompanhar”, aponta Souza.

“É importante ressaltar que, embora o Telegram tenha papel central na organização desses atos, outras plataformas ainda oferecem terreno fértil para extremistas. Souza cita os apps de vídeos curtos, como TikTok e Kwai, como casos de atenção especial, além do Gettr, que já nasceu em um ambiente de extrema direita e foi amplamente usado em atos do último 7 de setembro.

Com informações da Época Negócios.

Tags: #Extrema Direita#Telegram
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