A proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital esteve entre os principais temas debatidos durante o Brasília Tech Summit, realizado nesta semana na capital federal.
O encontro reuniu representantes do governo, empresas de tecnologia, especialistas e integrantes da sociedade civil para discutir os desafios da economia digital e o avanço da regulamentação das plataformas on-line no Brasil.
Entre os destaques da programação esteve o painel dedicado à proteção de influenciadores mirins e aos direitos de crianças e adolescentes nas redes sociais.
O debate abordou os impactos da nova legislação voltada ao ambiente digital e as medidas que buscam garantir mais segurança para menores de idade que produzem conteúdo na internet.
Novas regras para influenciadores mirins
Durante o evento, representantes do Ministério da Justiça e Segurança Pública destacaram que as plataformas digitais deverão adotar novas exigências para conteúdos produzidos de forma recorrente por crianças e adolescentes com finalidade comercial.
A regulamentação prevê mecanismos de controle para atividades remuneradas realizadas no ambiente digital, buscando assegurar proteção semelhante à já existente para atividades artísticas tradicionais.
Segundo especialistas presentes no debate, o objetivo não é restringir o acesso de crianças à internet, mas criar condições para que elas possam utilizar os ambientes digitais de forma mais segura e adequada à sua faixa etária.
Segurança digital e responsabilidade compartilhada
Os participantes defenderam que a construção de um ambiente digital mais seguro depende da atuação conjunta de plataformas, famílias, instituições públicas e sociedade civil.
A discussão também destacou a necessidade de garantir equilíbrio entre liberdade de expressão, inovação tecnológica e responsabilização de agentes que atuam no ambiente digital.
Para os debatedores, o crescimento das redes sociais e da produção de conteúdo por menores de idade exige mecanismos atualizados de proteção, especialmente diante do aumento da exposição pública de crianças e adolescentes.
Impactos na saúde mental
A psicóloga e ex-atriz mirim Cecília Dassi participou do encontro e chamou atenção para os efeitos da exposição precoce na vida de crianças e adolescentes.
Segundo ela, a facilidade de produzir e divulgar conteúdos pelas redes sociais pode dificultar a identificação de situações de exploração ou trabalho infantil, tornando ainda mais importante a existência de regras claras e mecanismos de fiscalização.
Ela também ressaltou a importância do respeito à imagem e ao consentimento de crianças e adolescentes, destacando que muitas vezes a exposição ocorre sem que os próprios menores tenham participação na decisão.
Inteligência artificial e proteção de direitos
Outro tema que ganhou destaque foi o avanço da inteligência artificial e seus impactos na proteção de direitos fundamentais.
Especialistas defenderam a criação de uma regulamentação capaz de acompanhar a rápida evolução tecnológica, sem comprometer a inovação. A proposta é estabelecer regras flexíveis, mas que garantam transparência, segurança e responsabilidade no desenvolvimento e uso dessas ferramentas.
Também foi discutido o Projeto de Lei que trata da regulamentação da inteligência artificial no Brasil. A proposta prevê restrições para sistemas considerados de alto risco, incluindo tecnologias relacionadas à exploração sexual infantil e ao desenvolvimento de armas autônomas.
O Brasília Tech Summit reuniu representantes de diversos setores para discutir temas ligados à transformação digital, incluindo proteção de dados, soberania tecnológica, economia digital, novos modelos de negócios e geração de empregos, reforçando a importância do debate sobre o futuro da tecnologia e dos direitos digitais no país.
*Da Agência Fonte Exclusiva
