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As ligações mudas são resultado de robocalls usadas por call centers e empresas de marketing. Veja quando essa prática é considerada abusiva e quais ferramentas ajudam a reduzir o problema.

Reprodução | Agência Brasil

Ligações mudas viraram rotina no Brasil: saiba por que elas existem e como bloquear

Chamadas automáticas descartadas após poucos segundos geram incômodo e sobrecarregam redes de telecomunicações

Redação Por Redação
03/01/2026 - 11:42
em Tecnologia
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O telefone toca, você atende, mas do outro lado não há nenhuma resposta. Em poucos segundos, a chamada é encerrada automaticamente. Essa situação, cada vez mais comum no Brasil, tem um nome: robocall.

As robocalls são ligações automáticas feitas em grande escala por sistemas informatizados, segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Elas são utilizadas principalmente por empresas de telemarketing e serviços de cobrança, mas também podem ser exploradas por golpistas.

Por que essas ligações ficam mudas?

O mecanismo por trás das robocalls funciona de forma simples: softwares chamados de “discadores automáticos” realizam várias chamadas simultâneas. Quando alguém atende, o sistema tenta direcionar a ligação para um atendente humano. Se não houver operador disponível naquele momento, a chamada é automaticamente encerrada, resultando no silêncio do outro lado da linha.

Além disso, empresas usam esse método para identificar quais números ainda estão ativos e quais pessoas costumam atender chamadas desconhecidas, refinando suas listas de contato para futuras abordagens comerciais.

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Segundo o especialista em telecomunicações Ari Lopes, da consultoria Omdia, nem todas as empresas utilizam esse tipo de prática, mas aquelas que recorrem a discagem automática o fazem para reduzir custos operacionais e aumentar a produtividade dos call centers.

Quando a prática se torna abusiva

A Anatel reconhece que disparos automáticos de ligações não são, por definição, ilegais. Esse tipo de tecnologia pode ser usado de forma legítima, como no envio de alertas de emergência ou comunicações institucionais.

No entanto, a agência considera abusiva a prática quando o volume de chamadas supera, de forma significativa, a capacidade humana de atendimento da empresa. Desde 2024, ligações encerradas antes de seis segundos passaram a ser classificadas como abusivas — antes, esse limite era de três segundos.

Além do incômodo aos consumidores, esse tipo de chamada sobrecarrega as redes de telecomunicações. Levantamentos da própria Anatel indicam que, em algumas operadoras, mais de 90% das ligações feitas por robôs duravam apenas alguns segundos.

Como reduzir as ligações indesejadas

Uma das principais ferramentas disponíveis hoje é a plataforma “Não Me Perturbe”, mantida pela Anatel. O serviço permite que o consumidor solicite o bloqueio de chamadas de empresas de telecomunicações e instituições financeiras.

O cadastro é gratuito e pode ser feito pelo site naomeperturbe.com.br. Após a solicitação, as empresas têm até 30 dias para interromper os contatos telefônicos.

Outra opção é a plataforma “Qual Empresa Me Ligou”, que permite identificar a empresa responsável por uma chamada indesejada. Basta acessar qualempresameligou.com.br, inserir o número com DDD e consultar o CNPJ associado.

Por que o bloqueio nem sempre funciona

Apesar das ferramentas disponíveis, muitos usuários relatam que continuam recebendo ligações excessivas mesmo após o cadastro no “Não Me Perturbe”. Especialistas explicam que isso ocorre porque parte dessas chamadas é feita por sistemas de voz sobre IP (VoIP), muitas vezes originados fora do Brasil.

Nesses casos, empresas e golpistas conseguem burlar filtros regulatórios e até falsificar números exibidos no identificador de chamadas — prática conhecida como spoofing.

Para enfrentar esse problema, a Anatel passou a exigir, a partir de 2024, que operadoras enviem relatórios detalhados sobre a origem do tráfego telefônico, incluindo chamadas com indícios de falsificação de número. A expectativa é que a coleta de dados permita identificar irregularidades com mais rapidez e ampliar a proteção ao consumidor.

Enquanto isso, especialistas recomendam cautela ao atender chamadas desconhecidas e o uso combinado das ferramentas oficiais de bloqueio e identificação, que ajudam a reduzir — ainda que não eliminem por completo — o impacto das robocalls no dia a dia.

*Da Agência Fonte Exclusiva

Tags: #Anatel#callcenter#DireitoDoConsumidor#fraudetelefonica#GolpesTelefonicos#LigacoesIndesejadas#NaoMePerturbe#Notícias#Robocalls#SegurançaDigital#spoofing#Tecnologia#Telefonia#TelemarketingConsumidor
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