O avanço das fraudes digitais no Brasil tem preocupado especialistas e autoridades.
Dados apresentados durante uma palestra promovida pela Escola do Legislativo do Estado do Rio de Janeiro (Elerj), ligada à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), apontam que os crimes cometidos por meio do Pix movimentaram cerca de R$ 29 bilhões entre julho de 2024 e julho de 2025.
O encontro, realizado no Edifício Lúcio Costa, reuniu especialistas em segurança digital e direito do consumidor para discutir os principais tipos de golpes aplicados atualmente, além de orientar a população sobre formas de prevenção.
Segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, aproximadamente 24 milhões de brasileiros foram vítimas de algum tipo de fraude virtual no período de um ano.
Entre os crimes mais comuns estão clonagem de redes sociais, falsos atendimentos bancários, boletos fraudulentos e páginas falsas que simulam sites oficiais de empresas, lojas e eventos.
Especialistas destacam sofisticação dos golpes
Durante a palestra, especialistas alertaram que os criminosos estão cada vez mais preparados para enganar as vítimas. A advogada Flávia Aguiar, integrante da Comissão de Defesa do Consumidor da OAB-RJ, afirmou que a conscientização da população é uma das principais ferramentas de combate aos golpes.
“A informação é essencial para evitar prejuízos. Muitas pessoas só percebem que foram vítimas quando o dinheiro já foi transferido”, destacou.
O advogado e professor Diogo Coelho apresentou casos reais de vítimas que perderam grandes quantias após acessarem páginas falsas. Segundo ele, muitos golpes começam antes mesmo da transferência via Pix.
“Os criminosos criam toda uma narrativa convincente, com documentos falsificados, páginas muito semelhantes às originais e até atendimento simulado”, explicou.
Idosos e jovens estão entre os mais atingidos
Os especialistas explicaram que diferentes faixas etárias acabam sendo alvo de golpes específicos. Os idosos aparecem com frequência entre as vítimas de boletos falsos, empréstimos fraudulentos e contatos que simulam bancos e órgãos públicos.
Já os jovens são mais atingidos por golpes relacionados a compras online, promoções falsas e invasões de redes sociais.
O advogado Alexandre Meireles alertou sobre a vulnerabilidade de pessoas que não cresceram familiarizadas com as tecnologias digitais.
“Muitos criminosos exploram a falta de experiência digital para criar situações de urgência e pressionar as vítimas”, afirmou.
Golpes usando nomes de advogados e processos judiciais
Outro tipo de fraude que vem crescendo envolve criminosos que se passam por advogados e escritórios jurídicos. Utilizando informações públicas sobre processos judiciais, os golpistas entram em contato com vítimas pedindo transferências bancárias para supostos pagamentos ou liberações de valores.
A aposentada Haidêe Antunes relatou que quase caiu em um golpe após receber mensagens com dados reais de seus processos e até fotos da advogada responsável pelo caso.
“Parecia tudo verdadeiro. Só percebi que era fraude quando confirmei diretamente com o escritório”, contou.
Especialistas orientam medidas de prevenção
Entre as principais recomendações apresentadas durante a palestra estão
- Conferir cuidadosamente os dados antes de realizar transferências via Pix;
- Evitar clicar em links enviados por mensagens desconhecidas;
- Ativar a verificação em duas etapas em aplicativos e redes sociais;
- Utilizar apenas canais oficiais de bancos e instituições;
- Desconfiar de ofertas muito vantajosas ou pedidos urgentes de dinheiro.
Os palestrantes também reforçaram que vítimas de golpes devem acionar imediatamente o banco e registrar boletim de ocorrência.
Projetos na Alerj tentam reforçar proteção digital
A Alerj também analisa projetos voltados ao combate das fraudes virtuais. Entre eles está o Projeto de Lei nº 6.361/2025, que cria a Política Estadual de Enfrentamento a Golpes Digitais, prevendo ações educativas e canais específicos de atendimento às vítimas.
Outra proposta em tramitação prevê o envio obrigatório de alertas por SMS pelas operadoras de telefonia para informar a população sobre novas modalidades de golpes e fraudes digitais.
*Da Agência Fonte Exclusiva
