A China alertou o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) de que a constelação de satélites Starlink, operada pela empresa norte-americana SpaceX, representa um risco crescente à segurança espacial. O alerta foi feito durante uma reunião do órgão e citou episódios recentes de quase colisões e aumento de detritos espaciaisna órbita terrestre baixa.
Segundo representantes chineses, a estação espacial do país precisou realizar manobras de emergência em 2021 para evitar colisões com satélites da Starlink. Além disso, Pequim mencionou um incidente ocorrido em dezembro, quando um satélite da rede se desintegrou, gerando mais de 100 fragmentos de lixo espacial, ampliando o risco para outras missões e equipamentos em órbita.
O alerta chinês ocorre após um episódio registrado em 12 de dezembro, quando um satélite Starlink e uma espaçonave chinesa passaram a menos de 200 metros de distância, sem coordenação prévia entre os operadores. O caso reacendeu o debate internacional sobre a falta de regras claras para o tráfego espacial em um ambiente cada vez mais congestionado.
Em resposta às críticas, o vice-presidente da SpaceX, Michael Nicolls, afirmou que a empresa enfrenta dificuldades devido à falta de compartilhamento de dados por parte de alguns operadores de satélites, o que comprometeria a prevenção de colisões. Ele defendeu maior cooperação internacional e transparência na troca de informações orbitais.
Durante a reunião na ONU, a China também expressou preocupação com o uso de satélites comerciais para fins militares, argumentando que essas tecnologias podem borrar as fronteiras entre atividades civis e operações de reconhecimento e comunicação em cenários de conflito.
Diante do aumento do número de objetos em órbita, a SpaceX anunciou recentemente que pretende rebaixar cerca de 4.400 satélites Starlink, com o objetivo de reduzir o risco de colisões e mitigar o acúmulo de detritos espaciais. A medida ocorre em um momento em que a órbita terrestre baixa se torna cada vez mais disputada, impulsionada por projetos de megaconstelações planejadas por empresas e governos.
O debate reacende discussões globais sobre a necessidade de novas normas internacionais para garantir a segurança, a sustentabilidade e o uso responsável do espaço, diante do avanço acelerado da atividade comercial no setor.
*Da Agência Fonte Exclusiva
