A Meta Platforms decidiu encerrar oficialmente sua aposta no metaverso e na realidade virtual corporativa, quatro anos após o fundador Mark Zuckerberg anunciar que essa seria a próxima grande revolução da computação. A empresa confirmou que vai descontinuar o Horizon Workrooms, sua principal plataforma de colaboração em realidade virtual, em 16 de fevereiro de 2026, além de encerrar todas as vendas de headsets Quest voltados ao mercado corporativo até o dia 20 do mesmo mês.
A mudança de rota vem acompanhada de uma reestruturação profunda na divisão Reality Labs, que resultou na demissão de mais de mil funcionários — cerca de 10% da força de trabalho do setor — e no fechamento de três estúdios de desenvolvimento de jogos em realidade virtual.
Entre os estúdios encerrados estão Armature Studio, Twisted Pixel e Sanzaru Games, responsáveis por títulos de destaque como Resident Evil 4 VR, Marvel’s Deadpool VR e Asgard’s Wrath. Funcionários relataram surpresa com os desligamentos, que começaram a ser comunicados internamente na terça-feira, 13 de janeiro, e rapidamente repercutiram nas redes sociais.
Além disso, o aplicativo de fitness em realidade virtual Supernatural, adquirido pela Meta em 2023 por US$ 400 milhões após uma disputa regulatória com a Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos, foi colocado em modo de manutenção. A empresa informou que não haverá novos conteúdos nem atualizações de recursos a partir de agora.
O recuo representa o desfecho de uma estratégia que custou caro à companhia. Desde 2021, quando o Facebook foi rebatizado como Meta, a divisão Reality Labs acumulou mais de US$ 70 bilhões em prejuízos, incluindo perdas de US$ 4,4 bilhões apenas no terceiro trimestre de 2025. Paralelamente, a adoção do metaverso pelo público ficou muito abaixo do esperado: a Meta vendeu cerca de 1,7 milhão de headsets Quest nos três primeiros trimestres de 2025, uma queda de 16% em relação ao ano anterior.
Diante desse cenário, a empresa decidiu redirecionar seus investimentos para inteligência artificial e dispositivos vestíveis. A Meta ampliou sua aposta em IA com aportes bilionários, incluindo um investimento de US$ 14,3 bilhões na Scale AI, além da contratação de Alexandr Wang para liderar sua estratégia no setor. Também ganhou protagonismo a parceria com a EssilorLuxottica para o desenvolvimento de óculos inteligentes da linha Ray-Ban.
Internamente, o CTO Andrew Bosworth afirmou que o foco agora será fortalecer experiências Horizon voltadas ao mobile e ferramentas de criação baseadas em inteligência artificial. Para usuários corporativos que ainda utilizavam o Horizon Workrooms, a empresa recomenda alternativas como Microsoft Teams, Zoom e Arthur.
*Da Agência Fonte Exclusiva
