Um dos maiores experimentos já realizados para investigar os efeitos psicológicos das redes sociais identificou uma leve melhora no bem-estar emocional entre pessoas que interromperam o uso do Facebook por seis semanas. O estudo foi conduzido pelos pesquisadores Hunt Allcott e Matthew Gentzkow, da Universidade de Stanford, e acompanhou cerca de 36 mil participantes durante o período que antecedeu a eleição presidencial dos Estados Unidos em 2020.
Os participantes foram convidados a desativar suas contas no Facebook e no Instagram, permitindo aos pesquisadores observar possíveis mudanças em indicadores ligados à saúde emocional, como níveis de felicidade, sintomas de depressão e ansiedade.
Os resultados indicaram que usuários que interromperam o uso do Facebook apresentaram melhora média de 0,060 desvios padrão em um índice que reúne diferentes medidas de bem-estar psicológico. Segundo os autores, o resultado foi estatisticamente significativo, indicando que a diferença observada dificilmente ocorreu por acaso.
Entre os usuários do Instagram, a melhora identificada foi menor, equivalente a 0,041 desvios padrão, resultado que não atingiu o nível de significância estatística previamente definido pelos pesquisadores.
Os autores estimam que o efeito médio observado equivale a aproximadamente 3,8% dos participantes passando a relatar que se sentiam felizes com maior frequência. O impacto foi considerado moderado quando comparado a intervenções psicológicas estruturadas, como a terapia cognitivo-comportamental, correspondendo a cerca de 15% a 22% da eficácia média dessas abordagens.
As análises indicaram que os efeitos do afastamento do Facebook foram mais evidentes entre pessoas com mais de 35 anos, indivíduos sem diploma universitário e eleitores indecisos. Já no caso do Instagram, os maiores ganhos emocionais foram observados entre mulheres de 18 a 24 anos, grupo que apresentou melhora de 0,111 desvios padrão nos indicadores analisados.
Outro dado observado pelos pesquisadores foi que interromper o uso das plataformas não reduziu o tempo total de utilização do celular. De acordo com o estudo, o tempo anteriormente dedicado às redes sociais foi direcionado para outros aplicativos, indicando que os benefícios emocionais podem estar relacionados ao tipo de conteúdo consumido, e não necessariamente ao tempo de exposição às telas.
Apesar dos resultados, a interpretação dos dados não é unânime entre especialistas. O psicólogo Christopher Ferguson, em análise publicada na revista Reason, argumentou que parte dos resultados não apresenta evidência suficientemente robusta para afirmar que reduzir o uso das redes sociais melhora significativamente a saúde mental.
Os próprios autores reconhecem que os efeitos identificados foram relativamente modestos, ainda que o tamanho da amostra e o método randomizado do estudo sejam considerados pontos fortes da pesquisa.
O estudo contribui para um debate em andamento sobre o impacto das redes sociais no comportamento e na saúde emocional dos usuários. Embora os resultados indiquem efeitos positivos discretos, os dados sugerem que a relação entre uso de plataformas digitais e bem-estar psicológico é complexa e envolve múltiplos fatores, incluindo tipo de conteúdo consumido, perfil do usuário e contexto social.
*Da Agência Fonte Exclusiva.
