A Agência Federal Médico-Biológica da Rússia informou que os primeiros pacientes começaram a receber uma vacina experimental contra o câncer desenvolvida no país. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (14) pela chefe da agência, Veronika Skvortsova, à imprensa russa.
Segundo a representante da instituição, cinco pacientes já iniciaram o tratamento, enquanto outras 35 pessoas devem participar da fase atual de aplicação do medicamento.
O processo teve início em março deste ano, e o primeiro paciente vacinado já recebeu seis doses da terapia experimental.
A vacina, chamada Neooncovac, utiliza tecnologia de RNA mensageiro (ARNm), método semelhante ao empregado em vacinas desenvolvidas durante a pandemia de Covid-19.
O tratamento está sendo realizado no Centro Nacional de Pesquisa Médica em Radiologia.
De acordo com Veronika Skvortsova, os resultados iniciais demonstram que o medicamento apresentou boa tolerância entre os pacientes.
Ela afirmou ainda que, até o momento, não foram identificados problemas de segurança e que a resposta imunológica observada corresponde às expectativas dos pesquisadores.
Apesar disso, a agência ressalta que ainda será necessário um acompanhamento clínico mais longo para comprovar a eficácia do tratamento na redução de tumores e metástases.
Vacina personalizada
O diferencial da vacina russa está na personalização do tratamento. A partir da análise genética do tumor de cada paciente, cientistas conseguem desenvolver uma fórmula individualizada capaz de estimular o sistema imunológico a identificar e combater células cancerígenas.
A tecnologia foi desenvolvida pelo Centro Gamaleya em parceria com o Centro Nacional de Pesquisa Médica em Radiologia.
Segundo os pesquisadores, um software com inteligência artificial é utilizado para mapear mutações específicas do tumor e projetar uma vacina sob medida para cada paciente.
Após a criação da fórmula, o RNA mensageiro é sintetizado e encapsulado em nanoestruturas lipídicas antes da aplicação.
Especialistas destacam que terapias personalizadas com ARNm representam uma das principais apostas da medicina moderna no combate ao câncer, embora os estudos ainda estejam em fase experimental e dependam de análises clínicas prolongadas para validação científica.
*Da Agência Fonte Exclusiva
