Uma taça de vinho por dia é saudável? Ciência aponta que não é tão simples

Efeitos antioxidantes existem, mas OMS reforça que não há nível seguro de álcool; frutas oferecem vantagens semelhantes sem riscos

Estudos sugerem benefícios moderados do vinho para o coração, mas especialistas reforçam que o álcool continua sendo nocivo. Entenda os riscos e alternativas.

Reprodução | Agência Brasil

É verdade que uma taça de vinho por dia faz bem ao coração? Especialistas respondem

A ideia de que uma taça de vinho por dia protege o coração virou quase um mantra popular. Mas, segundo cardiologistas, essa crença precisa ser vista com cautela — e com mais ciência do que tradição.

“O consumo de álcool não é saudável. As pessoas não deveriam pensar que beber vinho é bom para você”, afirma o cardiologista Oliver Guttmann, do Wellington Hospital, em Londres.

O alerta não é à toa. Diversos estudos já associaram o álcool a problemas como pressão alta, doenças hepáticas, distúrbios digestivos, queda da imunidade, transtornos mentais e diferentes tipos de câncer.

Há benefícios? Há. Mas são pequenos — e vêm acompanhados de riscos

Apesar de o álcool trazer riscos claros, o consumo moderado de vinho aparece em algumas pesquisas como potencialmente benéfico para o coração.

Esses estudos observaram que pequenas quantidades podem:

• reduzir o colesterol LDL (“ruim”);
• melhorar a flexibilidade e o relaxamento dos vasos sanguíneos;
• exercer leve ação anti-inflamatória;
• oferecer antioxidantes, como o resveratrol do vinho tinto.

Esses efeitos podem diminuir o risco de doenças cardiovasculares.

Mas Guttmann reforça: os benefícios são modestos e não superam os riscos.

A Organização Mundial da Saúde publicou, em 2023, uma posição clara:
não existe nível seguro de consumo de álcool.
A substância é classificada como carcinogênica do Grupo 1 — a mesma categoria do amianto e do tabaco.

Quer os mesmos benefícios? Coma frutas — não beba vinho

O cardiologista destaca que as vantagens atribuídas ao vinho podem ser obtidas de outras fontes:

• uvas;
• frutas vermelhas;
• alimentos ricos em antioxidantes.

Eles oferecem resveratrol e compostos anti-inflamatórios sem o efeito tóxico do álcool.

Moderação: o único caminho possível

Guttmann é direto: ele não recomendaria a ninguém começar a beber por achar que faz bem ao coração.

Mas reconhece que é irreal esperar que todos abandonem o álcool de uma vez. Por isso, orienta limites:

• até 20 taças pequenas por mês, no máximo;
• a British Heart Foundation recomenda não ultrapassar 14 unidades semanais — o equivalente a cerca de seis taças médias de vinho.

E lembra: bebidas alcoólicas, especialmente cerveja e destilados, são ricas em açúcar e calorias, além de prejudicarem o fígado.

“Vinho não é remédio”

A frase é do próprio cardiologista — e resume bem o ponto central.

“Muitas pessoas acham que podem comer mal todos os dias e equilibrar isso com uma taça de vinho. Isso não existe”, diz Guttmann.

O que protege o coração é o conjunto:

• alimentação equilibrada;
• atividade física;
• sono adequado;
• controle do estresse;
• consumo mínimo ou nulo de álcool.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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