Uma nova alternativa para o tratamento do diabetes começou a chegar aos pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde.
O Ministério da Saúde iniciou a substituição gradual da insulina NPH pela glargina, medicamento de ação prolongada que pode tornar o controle da glicose mais simples e estável.
A glargina permanece ativa no organismo por aproximadamente 24 horas. Em muitos casos, isso permite que o paciente utilize apenas uma dose diária.
A NPH, por outro lado, pode exigir até três aplicações ao longo do dia, conforme a necessidade de cada pessoa e a orientação da equipe médica.
Tratamento pode se tornar mais simples
Segundo a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, Fernanda De Negri, a nova opção favorece maior estabilidade dos níveis de glicose durante o dia.
A redução do número de aplicações também pode facilitar a continuidade do tratamento, especialmente entre pacientes que enfrentam dificuldades para manter uma rotina com várias doses.
A insulina glargina ainda pode contribuir para diminuir a ocorrência de episódios de hipoglicemia.
Primeira etapa atenderá públicos específicos
Inicialmente, o medicamento será disponibilizado a crianças e adolescentes de 2 a 17 anos diagnosticados com diabetes tipo 1.
Pessoas com 70 anos ou mais também poderão receber a glargina. Nesse grupo, estão incluídos pacientes com diabetes tipo 1 ou tipo 2 que cumpram os critérios estabelecidos pelo SUS.
A ampliação ocorrerá de maneira progressiva, acompanhando a disponibilidade do medicamento e a organização dos serviços de saúde.
Substituição exige avaliação profissional
Os pacientes não devem trocar a insulina por iniciativa própria.
A mudança da NPH para a glargina precisa ser avaliada e orientada pelos profissionais responsáveis pelo acompanhamento de cada caso.
A dose, o horário de aplicação e os demais cuidados deverão ser definidos conforme as condições clínicas e as necessidades individuais.
Mesmo com a possibilidade de uma única aplicação diária, o acompanhamento regular continuará sendo necessário para verificar a resposta ao tratamento e manter a glicemia controlada.
Meta é ampliar acesso até o fim de 2026
O Ministério da Saúde pretende alcançar uma parcela significativa do público elegível até o encerramento de 2026.
A estimativa é disponibilizar a insulina glargina para aproximadamente 30% das mais de 2 milhões de pessoas que utilizam insulina por meio do SUS.
A incorporação gradual permitirá ampliar o acesso à tecnologia sem interromper os tratamentos já realizados com outros tipos de insulina.
Produção brasileira reduz dependência externa
A retomada da fabricação da glargina no Brasil também faz parte da estratégia do governo para fortalecer o abastecimento do sistema público.
A produção nacional pode reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros e diminuir os riscos provocados pela escassez do medicamento no mercado internacional.
Além de modernizar o tratamento, a medida busca garantir maior segurança no fornecimento de um produto essencial para milhões de brasileiros.
Com a ampliação da oferta, o SUS pretende facilitar a rotina dos pacientes, melhorar o controle do diabetes e fortalecer a capacidade brasileira de produzir medicamentos considerados estratégicos.
*Da Agência Fonte Exclusiva
