O Sistema Único de Saúde iniciou, em todo o país, a transição gradual da insulina humana NPH para a insulina glargina, medicamento de ação prolongada utilizado no controle do diabetes. A mudança busca facilitar o tratamento e proporcionar maior estabilidade nos níveis de glicose ao longo do dia.
A insulina glargina pode permanecer ativa no organismo por aproximadamente 24 horas. Dependendo da avaliação médica e das necessidades de cada paciente, o medicamento pode ser administrado uma vez ao dia, reduzindo a quantidade de aplicações exigidas pelo tratamento com a insulina NPH.
A substituição, no entanto, não será automática. A mudança deverá ocorrer de forma individualizada, com acompanhamento dos profissionais de saúde responsáveis pelo tratamento. Dosagens, horários e demais medicamentos utilizados pelo paciente precisam ser avaliados antes da migração.
Nesta etapa da estratégia nacional, o público prioritário é formado por crianças e adolescentes com diabetes tipo 1, dos 2 anos até antes de completarem 18 anos, além de pessoas com 70 anos ou mais diagnosticadas com diabetes tipo 1 ou tipo 2.
Maior estabilidade da glicemia
A glargina pertence ao grupo das insulinas basais de ação prolongada. Sua atuação mais contínua ajuda a manter os níveis de glicose controlados entre as refeições e durante o período de sono.
A utilização do medicamento pode contribuir para a redução das oscilações da glicemia e facilitar a rotina de pessoas que dependem da insulinoterapia. A quantidade de aplicações, entretanto, varia conforme o quadro clínico e não elimina necessariamente a necessidade de insulinas de ação rápida nas refeições.
A orientação oficial destaca que a transição deve receber atenção especial quanto à segurança do paciente. As equipes precisam acompanhar a resposta ao novo tratamento e realizar os ajustes necessários para evitar episódios de hipoglicemia ou hiperglicemia.
Distribuição nacional
A oferta da insulina glargina começou inicialmente como projeto-piloto em quatro unidades da Federação. Após a preparação das equipes e a definição dos protocolos, a estratégia foi ampliada para todos os estados brasileiros.
O Ministério da Saúde também promoveu capacitações destinadas aos profissionais que atuam na assistência farmacêutica e no acompanhamento das pessoas com diabetes. O objetivo é garantir que a substituição seja realizada de maneira segura, organizada e adequada às necessidades de cada paciente.
A distribuição deverá avançar conforme os medicamentos, as canetas reutilizáveis e os demais insumos sejam entregues às redes estaduais e municipais. Os pacientes enquadrados nos critérios deverão procurar a unidade de saúde onde realizam o acompanhamento para receber orientações.
Produção nacional fortalece abastecimento
A ampliação do acesso à insulina glargina também está relacionada à retomada da produção de insulina no Brasil. A estratégia envolve transferência de tecnologia e fabricação nacional destinada ao abastecimento do SUS.
Em novembro de 2025, o Ministério da Saúde recebeu 2,1 milhões de unidades produzidas com tecnologia nacional e informou que outras 4,7 milhões seriam entregues até dezembro daquele ano. A produção doméstica busca diminuir a dependência de fornecedores externos e reduzir os riscos de desabastecimento.
A incorporação da glargina representa uma ampliação das opções terapêuticas disponíveis na rede pública. A efetividade do tratamento, porém, continuará dependendo do acompanhamento regular, da aplicação correta, da alimentação adequada e da monitorização da glicemia.
A insulina glargina não é uma vacina. Trata-se de um medicamento injetável de ação prolongada que deve ser utilizado exclusivamente com prescrição e acompanhamento profissional.
*Da Agência Fonte Exclusiva