A hipertensão continua passando despercebida para uma parcela significativa da população adulta. Um amplo estudo realizado na Inglaterra indica que quase seis em cada dez pessoas que atendem aos critérios para pressão alta não sabem que convivem com a condição.
A pesquisa analisou dados do programa Our Future Health coletados entre 2022 e 2025 e reforça um dos principais desafios associados à hipertensão: a doença pode evoluir durante anos sem provocar sintomas perceptíveis.
Esse caráter silencioso aumenta o risco de diagnóstico tardio e, consequentemente, de complicações cardiovasculares.
Pressão alta atingiu mais de um terço dos participantes
Os pesquisadores consideraram hipertensos os participantes que apresentavam pressão arterial igual ou superior a 140 por 90 mmHg ou que já utilizavam medicamentos para controlar a doença.
A partir desse critério, aproximadamente 37% dos adultos avaliados apresentavam hipertensão.
A frequência aumentou de maneira acentuada conforme a idade.
Entre pessoas de 18 a 39 anos, cerca de 15% se enquadravam nos critérios. Já no grupo com 80 anos ou mais, o percentual chegou a aproximadamente 71%.
Os números mostram que a pressão alta é mais comum entre idosos, mas também está presente em uma parcela relevante de adultos mais jovens.
Tratamento nem sempre significa pressão controlada
O levantamento identificou outro problema importante.
Entre os participantes que já sabiam ter hipertensão e utilizavam tratamento, aproximadamente metade ainda apresentava níveis iguais ou superiores a 140 por 90 mmHg.
Para os pesquisadores, o dado indica que o desafio vai além de descobrir a doença.
Depois do diagnóstico, é necessário manter acompanhamento regular, avaliar a resposta ao tratamento e fazer ajustes quando a pressão permanece acima dos níveis recomendados.
Doença aumenta risco cardiovascular
A hipertensão está associada a um maior risco de acidente vascular cerebral, infarto, insuficiência cardíaca, doença renal e outras complicações.
Como muitas pessoas não apresentam sintomas, medir a pressão periodicamente é uma das principais formas de identificar alterações precocemente.
Dor de cabeça, tontura ou outros sinais não devem ser usados como única referência para saber se a pressão está elevada.
Adultos jovens também precisam de atenção
Um dos pontos destacados pelos pesquisadores é que o rastreamento não deve ficar restrito às faixas etárias mais avançadas.
Mesmo entre adultos com menos de 40 anos, uma parcela dos participantes apresentou pressão compatível com hipertensão.
O reconhecimento precoce pode permitir mudanças no estilo de vida e, quando necessário, início de tratamento antes do surgimento de danos ao coração, vasos sanguíneos, rins e cérebro.
Risco deve ser avaliado de forma mais ampla
Os autores defendem que a avaliação da hipertensão considere também o risco cardiovascular individual.
Além da pressão registrada no aparelho, fatores como idade, histórico familiar, tabagismo, diabetes, excesso de peso, colesterol elevado e presença de outras doenças podem influenciar a estratégia de acompanhamento.
Essa análise pode ajudar a identificar quem necessita de atenção mais intensiva mesmo quando os valores de pressão estão próximos dos limites utilizados para diagnóstico.
Estudo não representa automaticamente outros países
Os dados foram obtidos na população da Inglaterra e não devem ser aplicados diretamente a outros países sem considerar diferenças demográficas, sociais e nos sistemas de saúde.
Ainda assim, a pesquisa chama atenção para dois problemas recorrentes no combate à hipertensão: muitas pessoas não sabem que têm a doença e parte dos pacientes diagnosticados não consegue manter a pressão adequadamente controlada.
A principal recomendação continua sendo acompanhar a pressão regularmente, especialmente para quem apresenta fatores de risco, e procurar avaliação profissional diante de medidas repetidamente elevadas.
*Da Agência Fonte Exclusiva.
