Uma pesquisa nacional inédita está sendo realizada para traçar um panorama da saúde mental dos brasileiros. Coordenado pelo Ministério da Saúde em parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), o levantamento percorre os 26 estados e o Distrito Federal para identificar os principais problemas enfrentados pela população e as demandas por atendimento.
Segundo o Ministério da Saúde, trata-se do primeiro estudo de abrangência nacional voltado especificamente à investigação das condições de saúde mental da população brasileira.
A expectativa é que os dados obtidos sirvam de base para definir prioridades na assistência e contribuir para a formulação de políticas públicas alinhadas às necessidades encontradas no país.
Pandemia influenciou criação da pesquisa
A Pesquisa Nacional de Saúde Mental foi estruturada também a partir dos efeitos provocados pela pandemia de Covid-19. De acordo com Letícia Cardoso, diretora do Departamento de Análise Epidemiológica e Vigilância de Doenças Não Transmissíveis do Ministério da Saúde, parte das consequências observadas durante a emergência sanitária continua sendo percebida atualmente.
Entre os sinais apontados estão o aumento da taxa de suicídio e a maior procura por serviços especializados em saúde mental.
Segundo a diretora, o cenário também trouxe consequências para a vida profissional e para a economia, com crescimento dos afastamentos do trabalho e outros impactos que atingem famílias e a sociedade.
“Esses problemas têm originado não só impacto na vida dos jovens, mas da população adulta, gerando afastamento do ambiente de trabalho, prejuízos econômicos, gerando aí uma necessidade do setor saúde e de toda a sociedade tratar esse problema como uma prioridade”, afirmou.
Ansiedade e depressão estão entre os principais temas
O levantamento vai analisar diferentes condições relacionadas à saúde mental, com atenção especial para ansiedade, depressão e sofrimento psíquico.
A pesquisa também vai investigar fatores que podem estar associados ao desenvolvimento desses transtornos, como consumo de álcool e outras drogas, características sociais e demográficas, condições de vida e a presença de outras doenças.
Outro ponto analisado será o impacto desses problemas na rotina dos brasileiros. Os pesquisadores pretendem avaliar possíveis reflexos nas relações familiares, no trabalho, na produtividade e na utilização dos serviços de saúde.
“A gente vai abordar principalmente ansiedade, depressão, sofrimento psíquico, fatores de risco pro acontecimento desses sofrimento e desses transtornos, como, por exemplo, uso de álcool, outras drogas e comportamentos relacionados”, explicou Letícia Cardoso.
Estudo quer representar diferentes realidades do país
Para Maria Carmen Viana, psiquiatra, professora da UFES e coordenadora do estudo, o aumento de transtornos mentais comuns é uma preocupação que ultrapassa as fronteiras brasileiras.
Ela destaca principalmente a ansiedade e a depressão, que, segundo a pesquisadora, apresentam sinais de crescimento nos últimos anos em diferentes países.
“Os problemas de saúde mental mais comuns que afetam as pessoas, como a depressão e principalmente os transtornos de ansiedade, parecem estar aumentando progressivamente na última década, não somente no Brasil, mas no mundo todo”, afirmou.
A pesquisadora também ressalta que essas condições podem afetar não apenas os pacientes, mas suas famílias e a sociedade, devido às consequências nas relações pessoais, na produtividade profissional e na assistência social.
Participantes terão papel importante no levantamento
As pessoas selecionadas para participar da pesquisa serão fundamentais para que o estudo consiga representar diferentes grupos e realidades existentes no Brasil.
De acordo com Maria Carmen Viana, os relatos e experiências dos participantes ajudarão os pesquisadores a compreender melhor os problemas relacionados à saúde mental e poderão contribuir para o planejamento de ações de prevenção e tratamento.
“É muito importante que as pessoas sorteadas para participar encontrem e possam contribuir com relato de sua opinião e suas experiências de vida, pois são elas que darão voz a todos os brasileiros”, disse.
Coleta deve reunir cerca de 10 mil entrevistas
A previsão do Ministério da Saúde é concluir a coleta de dados até o fim de 2026. A pesquisa deverá reunir aproximadamente 10 mil entrevistas válidas.
Para garantir que os resultados tenham representatividade nacional, a metodologia utilizada segue procedimentos semelhantes aos adotados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O estudo considera brasileiros com 18 anos ou mais e deverá apresentar informações sobre a ocorrência de transtornos mentais, fatores associados, condições de vida, impactos no cotidiano e acesso da população aos serviços de saúde.
Os resultados poderão ser utilizados para orientar ações do Sistema Único de Saúde (SUS) e apoiar a definição de estratégias de prevenção, assistência e promoção da saúde mental em diferentes regiões do país.
*Da Agência Fonte Exclusiva
