Mosquitos não atacam pessoas de forma aleatória. Um estudo divulgado em 18 de março na revista científica Science Advances identificou que esses insetos utilizam uma combinação de sinais biológicos para localizar humanos, incluindo o dióxido de carbono liberado pela respiração, o calor corporal e compostos químicos presentes na pele.
A pesquisa foi conduzida por cientistas do Instituto de Tecnologia da Geórgia, nos Estados Unidos, que analisaram mais de 20 milhões de trajetórias de voo de mosquitos em ambiente controlado. Os resultados mostram que o comportamento de busca ocorre em etapas e é ativado principalmente pela presença de CO₂ no ar, substância liberada naturalmente durante a respiração humana.
Ao detectar esse gás, o mosquito entra em um estado de busca ativa e passa a procurar estímulos visuais que indiquem a presença de um possível hospedeiro. Elementos com maior contraste, especialmente cores escuras como preto, vermelho ou azul-marinho, tendem a chamar mais atenção nesse momento inicial.
À medida que o inseto se aproxima, outros fatores passam a influenciar a decisão de pousar. Compostos químicos liberados pela pele, resultantes da interação entre suor e bactérias naturais do corpo, funcionam como uma espécie de marca individual, o que pode explicar por que algumas pessoas recebem mais picadas do que outras, mesmo estando no mesmo ambiente.
O calor corporal também desempenha papel importante na etapa final da aproximação, ajudando o mosquito a localizar a área ideal para o pouso. Segundo os pesquisadores, substâncias específicas presentes na pele, como ácidos carboxílicos, estão entre os elementos que aumentam a atratividade para esses insetos.
Os autores destacam que os mosquitos não fazem escolhas conscientes, mas respondem automaticamente a estímulos do ambiente. Qualquer pessoa que emita dióxido de carbono, calor e odores corporais pode ser detectada, embora a intensidade desses sinais varie de indivíduo para indivíduo.
Compreender esse processo é considerado relevante para a saúde pública, já que mosquitos são responsáveis pela transmissão de doenças como dengue, zika e malária. O mapeamento detalhado dos mecanismos de busca pode contribuir para o desenvolvimento de repelentes mais eficientes, armadilhas mais estratégicas e novas formas de reduzir o contato entre humanos e vetores de doenças.
Mesmo com estrutura cerebral simples, esses insetos apresentam um sistema sensorial altamente eficiente, capaz de integrar múltiplos estímulos para localizar humanos com precisão.
*Da Agência Fonte Exclusiva
