A menopausa é um processo natural do envelhecimento feminino, mas suas repercussões vão além dos sintomas físicos mais conhecidos, como ondas de calor. Alterações cognitivas, dificuldades de concentração, oscilações de humor e distúrbios do sono também podem surgir nesse período, impactando o funcionamento do cérebro e a qualidade de vida das mulheres.
Um estudo publicado na revista científica Psychological Medicine analisou dados de cerca de 125 mil mulheres participantes do UK Biobank, um dos maiores bancos de dados de saúde do mundo. Aproximadamente 11 mil delas realizaram exames de ressonância magnética, permitindo aos pesquisadores observar alterações estruturais no cérebro associadas à menopausa.
As participantes foram divididas em três grupos: mulheres que ainda não haviam entrado na menopausa, mulheres na pós-menopausa que não utilizaram terapia de reposição hormonal (TRH) e mulheres na pós-menopausa que fizeram uso da terapia. O estudo identificou diferenças relacionadas à saúde mental, ao sono e à função cognitiva.
De forma geral, mulheres na pós-menopausa relataram maior procura por atendimento médico devido a sintomas como ansiedade, depressão e nervosismo, além de maior incidência de dificuldades relacionadas ao sono. Os exames de imagem também apontaram redução no volume de massa cinzenta cerebral, estrutura associada ao processamento de informações, memória, controle motor e regulação emocional.
Segundo especialistas, essas mudanças podem explicar sintomas frequentemente relatados durante essa fase, como dificuldade de concentração, sensação de “mente lenta”, esquecimentos cotidianos e maior esforço para organizar tarefas ou manter o foco.
A neurologista Luciana Barbosa explica que entre 60% e 70% das mulheres apresentam algum sintoma durante a menopausa, incluindo fadiga, alterações de humor, insônia e prejuízos cognitivos leves.
Entre as queixas mais comuns estão a dificuldade de manter a linha de raciocínio, lapsos de memória e maior dificuldade em realizar múltiplas tarefas simultaneamente. Apesar disso, na maioria dos casos, essas alterações não comprometem a autonomia da mulher, mas devem ser avaliadas quando há impacto significativo no funcionamento diário.
A especialista destaca que alterações do sono e sintomas emocionais podem potencializar as dificuldades cognitivas. Quadros de ansiedade ou depressão, por exemplo, podem reduzir a capacidade de concentração e planejamento, além de interferir na consolidação da memória.
O estudo também avaliou o impacto da terapia de reposição hormonal. Embora a TRH possa ser indicada para algumas mulheres, a decisão deve ser individualizada e baseada em avaliação médica, considerando benefícios, riscos e histórico de saúde.
Além de tratamentos medicamentosos, mudanças no estilo de vida desempenham papel importante na preservação da saúde cerebral. A prática regular de atividade física, alimentação equilibrada e manutenção de uma rotina de sono adequada estão entre as estratégias recomendadas.
Adotar hábitos de organização, como anotar compromissos, evitar sobrecarga de tarefas simultâneas e estabelecer prioridades, também pode ajudar a reduzir o impacto das alterações cognitivas no dia a dia.
Especialistas ressaltam que o cérebro feminino passa por transformações ao longo de toda a vida, influenciado por variações hormonais desde a puberdade até a menopausa. Essas mudanças fazem parte de um processo natural e não significam necessariamente perda permanente de capacidade cognitiva.
O acompanhamento médico e a adoção de estratégias de autocuidado podem contribuir para que essa fase seja vivida com mais equilíbrio, preservando a qualidade de vida e o bem-estar mental.
*Da Agência Fonte Exclusiva
