Pesquisa 100% brasileira testa substância que pode devolver movimentos após lesão medular

Estudo com polilaminina começa fase clínica e reacende debate sobre regeneração da medula espinhal.

Nova esperança contra a tetraplegia: polilaminina avança para testes clínicos no Brasil

📸 Arquivo/Fonte Exclusiva

Voltar a mexer um dedo depois de meses sem qualquer resposta do corpo. Sentir novamente o toque na perna. Conseguir contrair o pé após um diagnóstico considerado irreversível.

Relatos como esses começaram a surgir no Brasil após a aplicação experimental da polilaminina, substância desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com foco no tratamento de lesões da medula espinhal.

A medula é responsável por transmitir os comandos do cérebro para o restante do corpo. Quando sofre uma lesão grave, especialmente nos casos classificados como completos, o paciente pode perder totalmente os movimentos e a sensibilidade abaixo do ponto afetado. É o que ocorre nos quadros de paraplegia e tetraplegia.

A proposta da polilaminina é atuar na regeneração desse tecido nervoso, reduzindo a inflamação e estimulando a reconexão neural.

Como surgiu a polilaminina

A pesquisa foi conduzida por mais de duas décadas por uma equipe da UFRJ liderada pela cientista Tatiana Coelho de Sampaio. Em 2025, a tecnologia recebeu patente no Brasil, consolidando oficialmente o desenvolvimento da substância em instituição pública.

A polilaminina é derivada da laminina, proteína presente na matriz extracelular associada ao crescimento neural. Após um processo de polimerização em meio ácido, forma compostos conhecidos como polímeros ácidos proteicos (pLN), descritos como potenciais agentes regenerativos e anti-inflamatórios.

Estudos e primeiros relatos

Testes realizados em modelos animais indicaram regeneração axonal, redução do processo inflamatório e melhora funcional.

No fim de 2025, aplicações em humanos começaram a ocorrer por meio de decisões judiciais. Alguns pacientes relataram retorno parcial de movimentos e sensibilidade após o procedimento.

Entre os casos que ganharam repercussão está o de Bruno Drummond de Freitas, que ficou tetraplégico após um acidente e recebeu a substância nas primeiras 24 horas após o trauma. Durante a reabilitação, ele relatou a retomada de pequenos movimentos.

Até janeiro de 2026, ao menos 17 aplicações compassivas haviam sido registradas no país. O laboratório Cristália informou que a substância não está disponível comercialmente e permanece em fase de estudo.

Fase clínica aprovada

Em 5 de janeiro de 2026, o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizaram o início da fase 1 do estudo clínico da polilaminina.

Essa etapa envolve cinco voluntários com lesão medular torácica aguda ocorrida há menos de 72 horas. O objetivo é avaliar a segurança da aplicação da substância diretamente na medula espinhal.

A fase 1 não mede eficácia, mas possíveis riscos e efeitos adversos. Apenas após a conclusão dessa etapa e a realização de estudos maiores será possível avaliar de forma científica se o tratamento é eficaz.

Especialistas alertam que relatos individuais não substituem ensaios clínicos controlados. Em alguns casos, mesmo lesões consideradas completas podem apresentar algum grau de recuperação espontânea, o que exige pesquisas estruturadas para comprovar a relação direta entre a substância e a melhora observada.

Ainda não há evidência científica conclusiva sobre a eficácia da polilaminina em humanos. A confirmação dependerá da publicação de resultados revisados por pares e do avanço das próximas fases clínicas.

Apesar das incertezas, a tecnologia é considerada um dos projetos científicos nacionais mais promissores na área de lesões medulares. Se comprovada sua eficácia, poderá representar um novo caminho para o tratamento de paraplegia e tetraplegia no Brasil.

*Da Agência: Fonte Exclusiva

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