A crise na saúde pública de Campos dos Goytacazes continua gerando indignação entre pacientes que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS). Moradores denunciam falta de medicamentos, demora de anos para realização de exames e cirurgias e um sistema de agendamento considerado burocrático e inacessível para grande parte da população.
Segundo relatos apresentados no programa Direto da Redação, há pacientes que aguardam atendimento há dois, três, quatro e até seis anos. Muitos afirmam que mutirões anunciados pela administração anterior não se concretizaram, o que aumentou a frustração e a sensação de abandono.
De acordo com a justificativa oficial, parte das dificuldades estaria relacionada a cadastros desatualizados. No entanto, pacientes e familiares contestam essa explicação, afirmando que a longa espera levou muitas pessoas a mudarem de endereço ou, em casos mais graves, a falecerem antes de serem chamadas.
Outro problema apontado é o novo sistema de agendamento. Em alguns casos, o paciente precisa acessar um link pela internet para registrar seus exames e, posteriormente, retornar presencialmente ao núcleo de regulação para concluir o processo. O modelo tem sido criticado por prejudicar idosos e pessoas sem acesso à internet ou sem familiaridade com tecnologia.
Além das dificuldades operacionais, muitos pacientes dizem ter medo de se identificar publicamente por receio de sofrer represálias, como atraso ainda maior no atendimento.
A situação representa um dos principais desafios para o prefeito Frederico Paes, que herdou uma rede sobrecarregada e enfrenta pressão para reduzir filas e garantir atendimento mais eficiente.
A dependência de hospitais e clínicas contratualizados também é apontada como fator de instabilidade. Quando há atrasos nos repasses financeiros, cirurgias e exames podem ser suspensos, ampliando a espera de milhares de pacientes.
Enquanto isso, moradores seguem aguardando soluções concretas para um problema que afeta diretamente a qualidade de vida e, em muitos casos, a própria sobrevivência de quem depende da rede pública de saúde.
*Da Agência Fonte Exclusiva
