A Organização Mundial da Saúde voltou a acender o alerta internacional após o aumento expressivo de casos de ebola na República Democrática do Congo.
Dados atualizados divulgados neste domingo (24) apontam que o país africano soma mais de 900 notificações suspeitas da doença, sendo 101 confirmações laboratoriais.
O comunicado foi feito pelo diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que destacou a gravidade da situação enfrentada especialmente na província de Ituri, considerada atualmente o principal centro da transmissão.
A região convive há anos com conflitos armados, deslocamentos forçados e dificuldades humanitárias, cenário que tem complicado o avanço das medidas de contenção do vírus.
Segundo Tedros, milhões de pessoas vivem em situação de vulnerabilidade em Ituri. Além da falta de assistência básica, parte significativa da população precisou abandonar suas casas devido à violência constante.
A insegurança também afeta diretamente o trabalho das equipes médicas e humanitárias. Profissionais de saúde estariam deixando áreas consideradas perigosas, reduzindo a capacidade de monitoramento dos casos e prejudicando a identificação rápida de novos infectados.
Com menos acesso às comunidades, as autoridades sanitárias encontram dificuldades para realizar o rastreamento de contatos, uma das principais estratégias para conter o avanço do ebola.
Outro desafio enfrentado pelas equipes é o aumento da desconfiança entre moradores da região. O clima de medo provocado pelos conflitos e a circulação de desinformação têm dificultado o trabalho de orientação e prevenção.
O ebola é uma doença infecciosa grave que pode provocar febre intensa, dores musculares, fadiga, vômitos e hemorragias em estágios mais avançados. A transmissão ocorre por meio do contato com fluidos corporais contaminados.
Especialistas alertam que surtos em áreas de conflito tendem a ser mais difíceis de controlar devido às limitações no acesso à saúde, deslocamentos populacionais e interrupções frequentes nos atendimentos médicos.
A OMS informou que continua mobilizando apoio técnico e humanitário para tentar reduzir o impacto da doença e evitar o agravamento da crise sanitária na região africana.
*Da Agência Fonte Exclusiva
