Jet lag social prejudica concentração, humor e desempenho escolar

Uso excessivo de telas e horários escolares contribuem para o problema

Dormir tarde e acordar cedo gera desalinhamento biológico.

Imagem | Divulgação

Dormir tarde, ter dificuldade para acordar cedo durante a semana e tentar recuperar o sono no fim de semana é uma rotina comum entre adolescentes. Esse padrão, muitas vezes interpretado como falta de disciplina, tem explicação científica e é conhecido como jet lag social.

O termo descreve o desalinhamento entre o relógio biológico do organismo e os horários exigidos pela rotina, como escola, cursos ou outras atividades diárias. Nessa situação, o corpo segue um ritmo natural diferente daquele imposto pelos compromissos sociais, o que pode provocar irregularidade no sono e sensação persistente de cansaço.

Especialistas explicam que o jet lag social não é o mesmo que insônia. O problema não está necessariamente na dificuldade de dormir, mas na incompatibilidade entre o horário biológico de descanso e os horários que a pessoa precisa cumprir. Esse descompasso faz com que muitos jovens acumulem horas de sono insuficientes durante a semana e tentem compensar esse déficit dormindo mais aos sábados e domingos.

Pesquisa conduzida pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com mais de 64 mil adolescentes entre 12 e 17 anos, indica que mais de 80% apresentam algum grau desse desalinhamento do sono. O estudo foi publicado na revista científica Sleep Health e aponta que quanto maior a diferença entre os horários de dormir nos dias úteis e nos fins de semana, maior tende a ser o impacto sobre o organismo.

Durante a adolescência, ocorrem mudanças naturais no ritmo biológico que favorecem o hábito de dormir e acordar mais tarde. Esse padrão, no entanto, entra em conflito com o início das aulas em horários matinais, o que contribui para noites mais curtas ao longo da semana.

As consequências do jet lag social podem incluir dificuldade de concentração, queda no rendimento escolar, alterações de humor e maior vulnerabilidade a sintomas de ansiedade e depressão. Alguns estudos também indicam associação com alterações metabólicas, aumento do risco de obesidade e impactos na saúde cardiovascular.

Determinados hábitos podem intensificar esse quadro. O uso prolongado de telas à noite, por exemplo, expõe o cérebro à luz artificial, o que pode interferir na produção de melatonina, hormônio responsável pela regulação do sono. O consumo de álcool e a irregularidade alimentar, como pular o café da manhã, também podem contribuir para a desorganização dos horários de descanso.

Pesquisas internacionais apontam que o início das aulas em horários mais tardios pode favorecer maior tempo de sono, melhor atenção e benefícios para a saúde mental de adolescentes. Instituições como a Academia Americana de Pediatria recomendam que o início das atividades escolares no ensino médio ocorra após as 8h30.

Embora mudanças estruturais nem sempre sejam simples, especialistas indicam que alguns ajustes na rotina podem ajudar a reduzir os efeitos do jet lag social. Manter horários de sono mais regulares, evitar exposição a telas antes de dormir e aumentar o contato com luz natural pela manhã estão entre as estratégias que podem contribuir para melhorar a qualidade do descanso.

O fenômeno tem sido considerado um tema relevante de saúde pública, já que o sono inadequado pode influenciar o aprendizado, o equilíbrio emocional e o funcionamento do organismo ao longo do desenvolvimento.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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