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Homem que se injetou com veneno de cobras por 18 anos contribui para criação de antiveneno

Getty Images

Homem que se injetou com veneno de cobras por 18 anos contribui para criação de antiveneno

Soro experimental protege contra 19 espécies de serpentes e pode revolucionar tratamento de picadas com ação ampla e inédita.

Redação Por Redação
03/05/2025 - 09:18
em Saúde
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O caso de Tim Friede, de 57 anos, que injetou veneno de cobras em si mesmo durante 18 anos, ganhou uma reviravolta científica. Após mais de 650 exposições a toxinas, Friede colaborou no desenvolvimento de um antiveneno promissor, criado a partir dos anticorpos produzidos por seu próprio organismo, conforme publicado pelo The New York Times. A nova fórmula pode transformar o tratamento contra picadas de serpente.

“No começo, foi muito assustador”, disse Friede. “Mas quanto mais você pratica, melhor você fica, mais calmo você fica.”

O antiveneno, que combina anticorpos do sangue de Friede com o medicamento varespladib, foi formulado para agir contra os venenos de 19 espécies de cobras. De acordo com um estudo publicado na sexta-feira (2) pela revista científica Cell, o soro demonstrou 100% de eficácia em testes com camundongos contra 13 dessas espécies e proteção parcial entre 20% a 40% para as outras seis. A pesquisa representa um avanço significativo, especialmente para populações em regiões com acesso limitado a antivenenos específicos.

“Estou realmente orgulhoso de poder fazer algo na vida pela humanidade, de fazer a diferença para pessoas que estão a 12.880 km de distância, que eu nunca vou conhecer, nunca vou falar, nunca vou ver, provavelmente”, afirmou Friede, que vive em Two Rivers, no estado norte-americano de Wisconsin, onde cobras venenosas não representam uma grande ameaça.

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Para desenvolver o soro experimental, os pesquisadores seguiram uma abordagem sistemática e inédita. Eles utilizaram anticorpos isolados do sangue de Tim Friede, que se imunizou por quase duas décadas, combinados com um medicamento de molécula pequena já em testes clínicos. A seguir, o processo detalhado:

  • Isolamento dos anticorpos: Cientistas extraíram anticorpos do sangue de Friede capazes de reconhecer neurotoxinas presentes nos venenos de 19 espécies de cobras, incluindo najas, mambas, taipans, kraits e cobras-coral.

  • Testes em camundongos: Cada anticorpo foi testado individualmente em camundongos envenenados para determinar quais eram mais eficazes contra os diferentes tipos de toxinas.

    Composição do coquetel: 

  • LNX-D09, um anticorpo que ofereceu proteção contra seis espécies.

  • Varespladib, um medicamento que inibe uma enzima presente em 95% das picadas e ampliou a proteção para três espécies adicionais.

  • SNX-B03, outro anticorpo isolado de Friede, que completou a cobertura contra todas as 19 espécies.

  • Resultados: O antiveneno demonstrou proteção total contra 13 espécies de cobras e eficácia parcial (20% a 40%) para as seis restantes.

Especialistas destacaram a inovação do método. Steven Hall, farmacologista britânico, classificou a abordagem como “criativa” e ressaltou que, por ser baseado em anticorpos humanos, o soro tem potencial para causar menos reações adversas do que os antivenenos tradicionais, geralmente derivados de cavalos.

Embora os testes tenham se concentrado em cobras do grupo dos elapídeos, a equipe também estuda alternativas para neutralizar venenos de viperídeos como cascavéis e víboras, ampliando o alcance da solução. Há ainda planos para iniciar testes em campo na Austrália, com aplicação veterinária em cães vítimas de mordidas.

Da Agência Fonte Exclusiva, com informações da RT Brasil.

Tags: #Ciência#Saude#Veneno de cobra
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