O aumento dos diagnósticos de HIV entre pessoas com 60 anos ou mais tem ampliado o alerta para a prevenção também na terceira idade.
Dados do Ministério da Saúde mostram que os registros anuais nessa faixa etária passaram de 378, em 2012, para 1.951 em 2022. A diferença representa um crescimento de aproximadamente 441%. Ao longo dos dez anos analisados, foram contabilizados 12.686 diagnósticos entre idosos.
Especialistas relacionam esse avanço à combinação de uma vida sexual mais ativa com a baixa percepção de risco. Medicamentos para disfunção erétil, aplicativos de relacionamento, novos relacionamentos após divórcios ou viuvez e o aumento da longevidade ajudam a explicar a continuidade da atividade sexual nessa fase da vida.
O problema é que muitas pessoas mais velhas não se reconhecem como vulneráveis ao HIV e a outras infecções sexualmente transmissíveis. Em gerações nas quais o preservativo esteve associado principalmente à prevenção da gravidez, seu uso pode ser menos frequente depois do fim do período reprodutivo.
Prevenção não tem idade
O HIV pode atingir pessoas de qualquer faixa etária. A prevenção inclui o uso de preservativos, a realização periódica de testes e o acesso às estratégias de prevenção combinada oferecidas pelo Sistema Único de Saúde.
A testagem é especialmente importante porque a infecção pode permanecer sem sintomas durante anos. Quando o diagnóstico ocorre tardiamente, a pessoa pode iniciar o tratamento já com o sistema imunológico comprometido.
O SUS oferece testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites virais em diferentes serviços de saúde. Pessoas que tiveram exposição sexual de risco ou receberam diagnóstico de outra infecção sexualmente transmissível também devem ser avaliadas para HIV.
PrEP também pode ser usada por idosos
A Profilaxia Pré-Exposição, conhecida como PrEP, consiste no uso de medicamentos antirretrovirais antes de uma possível exposição ao HIV. Ela pode ser indicada a qualquer pessoa que apresente risco aumentado de contato com o vírus, independentemente da idade, após avaliação de saúde.
A PrEP disponível no SUS é principalmente oral. O Brasil também participa de estudos de implementação de versões injetáveis de longa duração, como o cabotegravir, aplicado em intervalos maiores. A Anvisa já aprovou o medicamento para prevenção, mas sua incorporação ampla ao sistema público depende de avaliação, definição de público e análise de custos.
A profilaxia reduz o risco de infecção pelo HIV, mas não protege contra sífilis, gonorreia, clamídia e outras ISTs. Por isso, o preservativo continua sendo uma ferramenta importante na prevenção combinada.
Diagnóstico e tratamento
Quando o HIV é identificado, o tratamento com antirretrovirais deve ser iniciado e mantido de forma contínua. Os medicamentos reduzem a quantidade de vírus no organismo e permitem que pessoas vivendo com HIV tenham qualidade e expectativa de vida próximas às da população geral.
Quando a carga viral permanece indetectável, o vírus não é transmitido por via sexual. Essa informação é resumida pela expressão “indetectável é igual a intransmissível”.
Acompanhamento médico, realização dos exames e adesão correta ao tratamento são fundamentais para alcançar e manter esse resultado.
Brasil avançou na transmissão vertical
Em dezembro de 2025, o Brasil recebeu da Organização Pan-Americana da Saúde e da Organização Mundial da Saúde a certificação de eliminação da transmissão vertical do HIV como problema de saúde pública.
A certificação não significa que nenhum caso possa ocorrer. Ela indica que o país manteve a transmissão da gestante para o bebê abaixo dos limites definidos pelas entidades internacionais, com ampla cobertura de testagem, tratamento durante a gestação e acompanhamento da criança.
O resultado permite que mulheres vivendo com HIV possam planejar uma gestação com acompanhamento adequado e risco muito reduzido de transmissão para o bebê.
Combate ao preconceito
A dificuldade de conversar sobre sexualidade na terceira idade também prejudica a prevenção. Familiares e profissionais de saúde nem sempre abordam o tema, o que pode atrasar a orientação, a oferta de testes e o diagnóstico.
Campanhas voltadas à população idosa precisam tratar a sexualidade com naturalidade, sem infantilização ou julgamento. Reconhecer que pessoas mais velhas mantêm relacionamentos e vida sexual ativa é uma etapa necessária para ampliar a prevenção.
Quem tiver dúvidas ou vivenciar uma situação de risco pode procurar uma unidade do SUS para receber orientação, realizar testes e avaliar a indicação de PrEP ou da Profilaxia Pós-Exposição, a PEP, que deve ser iniciada o mais rápido possível após a exposição.
*Da Agência Fonte Exclusiva
