Cansaço frequente, falta de ânimo para atividades do dia a dia e queda de rendimento físico podem estar relacionados à deficiência de vitaminas essenciais para o funcionamento do organismo.
De acordo com a endocrinologista Paula Fábrega, do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília, baixos níveis de nutrientes como vitamina B12, ferro, vitamina D e magnésio podem comprometer a disposição, especialmente quando a deficiência é significativa ou se prolonga por muito tempo.
“A vitamina B12 e o ferro são fundamentais para a produção de energia, para a oxigenação dos tecidos e para o bom funcionamento do sistema nervoso e muscular. Quando estão muito baixos, podem provocar anemia, fadiga intensa, dificuldade de concentração e queda no rendimento físico”, explica.
Alterações de humor, desânimo e até sintomas depressivos também podem surgir nesses casos. Já a vitamina D e o magnésio participam de processos importantes relacionados à função muscular e ao metabolismo.
Segundo a médica, em quadros mais acentuados podem aparecer fraqueza muscular, dores no corpo e menor tolerância ao exercício.
Nem todo cansaço, porém, está ligado à falta de vitaminas. Estresse, noites mal dormidas e excesso de trabalho continuam entre as causas mais comuns de fadiga. A diferença, segundo especialistas, está na persistência dos sintomas e na presença de outros sinais.
O endocrinologista e metabologista Gustavo Francklin afirma que alguns sintomas podem indicar carência de micronutrientes.
“Fadiga persistente mesmo após descanso adequado, fraqueza muscular, cãibras, queda de desempenho físico e dificuldade incomum para treinar podem ser sinais de deficiência”, afirma.
A endocrinologista Andressa Heimbecher, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia de São Paulo, acrescenta que sintomas como “névoa mental”, queda de cabelo, unhas frágeis e dificuldade de concentração também podem estar associados à falta de vitaminas, principalmente de vitamina B12.
Outros sinais incluem palidez, tontura e falta de ar — comuns na deficiência de ferro — além de formigamentos, lapsos de memória e lentidão cognitiva.
Segundo Paula Fábrega, há uma diferença clara entre o cansaço ocasional e o causado por deficiência nutricional. “A fadiga ocasional costuma melhorar com repouso ou mudanças na rotina. Já a fadiga ligada à deficiência tende a ser mais persistente e não melhora apenas com descanso”, explica.
Diante do cansaço, muitas pessoas recorrem à suplementação por conta própria, prática que pode trazer riscos.
De acordo com Gustavo Francklin, o uso inadequado de suplementos pode provocar efeitos adversos. Excesso de vitamina D pode causar toxicidade e problemas renais, enquanto o ferro em excesso pode levar a sobrecarga no organismo e danos ao fígado.
“O magnésio em doses altas pode provocar diarreia, queda de pressão e até arritmias”, alerta.
Outro problema é que a suplementação sem diagnóstico pode mascarar doenças mais complexas, como distúrbios da tireoide, anemias crônicas, doenças autoimunes ou problemas de absorção intestinal.
A investigação médica costuma começar com avaliação clínica e exames de sangue. Entre os exames mais solicitados estão hemograma, dosagem de vitamina B12, vitamina D, ferritina, ferro sérico, saturação de transferrina, ácido fólico e magnésio.
Os especialistas recomendam investigar quando a fadiga persiste por mais de quatro a seis semanas, quando há queda de desempenho sem explicação ou quando surgem sintomas neurológicos, palidez ou fraqueza.
Eles reforçam que a disposição não depende apenas de vitaminas. Sono de qualidade, alimentação equilibrada, atividade física regular e controle do estresse continuam sendo fatores fundamentais para manter a energia ao longo do dia.
*Da Agência Fonte Exclusiva
