Um estudo recente identificou que o acúmulo de gordura abdominal em mulheres na pós-menopausa pode estar associado a pior desempenho em diferentes áreas da cognição, como memória, atenção e funções executivas. A pesquisa, publicada na revista científica Menopause, sugere que a relação cintura-quadril (RCQ) pode ser um indicador mais sensível do que o índice de massa corporal (IMC) para avaliar riscos à saúde cerebral nessa fase da vida.
O trabalho analisou dados de mais de 700 mulheres com idades entre 42 e 58 anos, acompanhadas durante quatro anos no estudo Kronos Early Estrogen Prevention Study (KEEPS-Cog). As participantes estavam na menopausa natural havia cerca de três anos e foram avaliadas periodicamente por meio de testes cognitivos aplicados ao longo do acompanhamento.
Os resultados indicaram que mulheres com maior proporção de gordura abdominal apresentaram desempenho inferior em testes que medem memória verbal, atenção visual e auditiva, linguagem e função executiva, habilidades relacionadas ao planejamento, organização e controle de impulsos.
A relação cintura-quadril é utilizada para avaliar a distribuição da gordura corporal, permitindo identificar o acúmulo de gordura visceral, que se concentra na região abdominal. Esse tipo de gordura está associado a maior risco metabólico, incluindo resistência à insulina, inflamação de baixo grau e aumento da probabilidade de doenças cardiovasculares.
Durante a menopausa, a redução dos níveis de estrogênio pode contribuir para alterações na forma como a gordura é distribuída no corpo. A tendência é que ocorra maior concentração de gordura na região abdominal, mesmo sem mudanças significativas no peso total. Esse processo pode influenciar o metabolismo e, indiretamente, afetar o funcionamento cognitivo.
O estudo também analisou o impacto da terapia hormonal com estrogênio e não identificou prejuízo cognitivo relacionado ao tratamento. Ainda assim, especialistas destacam que a reposição hormonal deve ser indicada de forma individualizada, após avaliação médica.
Pesquisadores ressaltam que hábitos de vida saudáveis continuam sendo fundamentais para a manutenção da saúde metabólica e cerebral. Alimentação equilibrada, prática regular de exercícios físicos e acompanhamento médico contribuem para reduzir a gordura visceral e melhorar a sensibilidade à insulina, fatores que podem influenciar o funcionamento cognitivo ao longo do envelhecimento.
Os resultados reforçam a importância de avaliar não apenas o peso corporal, mas também a distribuição da gordura, especialmente durante a pós-menopausa, período marcado por mudanças hormonais que podem impactar diferentes aspectos da saúde.
*Da Agência Fonte Exclusiva
